Francisco Jr.: “Codego apresenta a faca para o queijo; ao lado do empreendedor, articulamos soluções com o Estado”

Francisco Júnior foi vereador, presidente da Câmara Municipal de Goiânia, secretário da Prefeitura, deputado estadual por dois mandatos e deputado federal. Hoje, está à frente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego) em um momento de expansão e de desafios. 

Por um lado, a Codego desfruta da ampliação de seus distritos industriais e dispõe de investimentos para celebrar acordos com outros estados e empresas estrangeiras. Por outro, atravessa o período do fim dos incentivos fiscais que atraíram empresas para o estado. Nesta posição, a tarefa de Francisco Jr. é “enraizar” empresas, segundo suas próprias palavras — criar vínculos, qualificação mão-de-obra, ampliar infraestrutura, aumentar a competitividade para que não haja debandada após a suspensão dos incentivos fiscais. 

Nesta entrevista ao Jornal Opção, Francisco Jr. analisa o panorama econômico do estado e do país, justificando a razão de o estado de Goiás crescer duas vezes e meia mais rápido do que a média nacional. Politicamente, se posiciona: “Qual é o principal projeto político de Goiás hoje, para qualquer vereador, deputado ou gestor público? É a possibilidade de termos um presidente da República goiano. Pode haver quem discorde, mas é preciso avaliar o que significou essa oportunidade para outras regiões — o Norte, o Nordeste, Minas Gerais. Agora, talvez, seja a vez de Goiás.”

Ton Paulo —  Quero começar perguntando sobre o grande destaque da Codego nos últimos meses, que é a expansão da Plataforma Logística Multimodal do Distrito Agroindustrial de Anápolis (DaiaPlam). O que podemos esperar do DaiaPlam ao longo deste ano?

O DaiaPlam é a expansão do Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia), um projeto lançado em 2012. Na época, ele não foi implantado por falta de energia. A Equatorial energizou a região no final do ano passado, o que finalmente viabilizou o início das operações.

Essa expansão é significativa. O Daia, que completará 50 anos no ano que vem, tinha 10 milhões de metros quadrados. Com o DaiaPlam, esse número vai para quase 12 milhões — a nova área tem 1,7 milhão de metros quadrados. Isso representa uma oportunidade de negócio muito interessante.

O Daia é fruto de uma política pública de industrialização iniciada ainda na época da Goiás Industrial. Ele foi fundamental para o desenvolvimento do estado de Goiás e segue sendo, com foco em atrair investimentos, gerar empregos e promover o desenvolvimento regional. A Codego hoje faz a gestão de 26 distritos industriais em funcionamento, e o Daia continua sendo o maior e mais importante deles. O DaiaPlam não é um novo distrito, mas sim uma expansão moderna, que reforça ainda mais a posição estratégica do Daia no cenário nacional.

Francisco Júnior concede entrevista a Italo Wolff e Ton Paulo | Foto: Guilherme Alves / Jornal Opção

Italo Wolff — Não existe mais o problema de falta de energia? E de água?

Segundo a Equatorial, o problema de energia está resolvido. Temos essa garantia da Equatorial. Já a questão da água vem sendo trabalhada há mais tempo. Houve um momento, se não me engano no final de 2018, em que realmente faltou água — inclusive em Brasília e em Anápolis.

No caso da água, o Daia fez diversos investimentos. Temos captação própria, poços de reserva perfurados e outorgados. Neste momento, há um investimento de mais de R$ 20 milhões em andamento — R$ 17 milhões são destinados à duplicação da capacidade de reservação de água.

Hoje, nosso reservatório da Estação de Tratamento de Água (Eta) tem capacidade para 10 milhões de litros. Estamos adquirindo um reservatório metálico com capacidade para 12 milhões. Quando ele for entregue — o que deve ocorrer até o fim do ano — reformaremos o anterior. Assim, até o fim do ano que vem, teremos capacidade total de armazenamento de 22 milhões, o que é muito significativo.

Mesmo com a estrutura atual, já ocorreram situações pontuais de falta de água. Ano passado, por exemplo, houve um incêndio na subestação e isso afetou o fornecimento de água. Como medida de segurança, já adquirimos dois geradores, num investimento de aproximadamente R$ 2,7 milhões. Eles garantirão que, mesmo em caso de falta de energia, não falte água no Daia. Além disso, a maioria das empresas também possui seus próprios sistemas de segurança, com geradores próprios.

Estamos ainda fazendo a dragagem e o desassoreamento da captação, o que garante a manutenção da eficiência do sistema. Esses investimentos reforçam a segurança hídrica para as empresas que já estão instaladas e para as que virão.

Italo Wolff — Há uma estimativa de quantas indústrias ou empresas devem se instalar no Daia com a expansão? 

Depende muito do perfil da empresa. No Daia, por exemplo, temos empresas que ocupam áreas de 10 mil metros quadrados e outras que utilizam até 500 mil metros quadrados. Isso varia conforme a necessidade de cada empreendimento. O processo que adotamos atualmente é o de licitação.

O Daia é todo modulado, o que permite que uma empresa adquira apenas um módulo ou vários, conforme sua demanda. Um problema recorrente, não só no Daia, mas em outros distritos também, é que, ao longo desses 50 anos, muitas áreas foram cedidas ou vendidas a empresas que nunca chegaram a implantar seus projetos. Algumas enfrentaram dificuldades financeiras, outras tinham objetivos de especulação imobiliária. Isso gerou mais de 800 ações judiciais, muitas delas para retomada dessas áreas.

Diante dessa situação, e por determinação do governador Ronaldo Caiado, modernizamos significativamente o processo de concessão de áreas. Hoje, seguimos três diretrizes fundamentais: transparênciaequidade e segurança jurídica.

Francisco Júnior: “O DaiaPlam,uma expansão moderna que reforça ainda mais a posição estratégica do Daia no cenário nacional, está com edital aberto até o dia 9 de abril” | Foto: Guilherme Alves/ Jornal Opção

Há total transparência em relação aos preços praticados, à origem desses valores, às formas de pagamento e às obrigações tanto das empresas quanto do Estado. Todas essas informações estão em edital público, disponível no site da Codego, acessível a qualquer empresa interessada — inclusive do exterior — que queira investir em Goiás.

A equidade garante oportunidades iguais a todos, com total impessoalidade no processo. Fizemos um primeiro edital no ano passado, que era bastante exigente. Após críticas do setor produtivo, revisamos o documento. Agora, ele foi elaborado em conjunto pela Codego e pela Seinfra, com uma comissão específica e diálogo com diversas entidades — como o Fórum Empresarial de Goiás, a ACIA de Anápolis, a FIEG, entre outras.

O resultado é um formato mais dinâmico. Por exemplo, flexibilizamos prazos para entrega de documentos e formas de pagamento. Para você ter uma ideia, o preço médio do metro quadrado na região gira em torno de R$ 200. No caso do Daia, esse valor pode ser reduzido por meio de fatores de desconto — compromissos que a empresa assume com o Estado — e o desconto pode chegar até R$ 46 por metro quadrado, o que representa uma redução significativa.

Além disso, o valor agregado ao Daia é maior hoje por conta dos investimentos recentes. Toda a iluminação foi revitalizada — o que era uma demanda antiga, já que muitas empresas operam 24 horas por dia. As vias principais receberam novas luminárias e seguimos com projetos de limpeza, segurança e outras melhorias para tornar o distrito ainda mais atrativo.

Ton Paulo — Como funciona o processo de seleção dessas empresas que vão ocupar o Daia?

A seleção é feita por meio de um processo de licitação. Essa licitação tem como objetivo qualificar as empresas interessadas e estabelecer compromissos mútuos — tanto da Codego com a empresa quanto da empresa com o Estado. Eu costumo dizer que o DaiaPlam não é para boas ideias, mas sim para boas empresas. Ou seja, buscamos empresas reais, consolidadas, que já atuam em Goiás ou em outros estados, e que precisam expandir ou ampliar seu mercado.

Todas são bem-vindas, mas o processo de avaliação prioriza aquelas com maior prontidão para iniciar suas atividades. Quanto mais demonstram apetite por entrar em operação rapidamente, melhor pontuadas elas são — e, com isso, têm direito a maiores descontos. Algumas atividades também recebem pontuação maior por estarem alinhadas com a vocação do distrito.

Essa estruturação foi desenvolvida por uma comissão formada pela SEINFRA, Codego e com apoio do Instituto Mauro Borges, que nos dá o respaldo técnico para definir os critérios de pontuação. É importante lembrar que o prazo para envio das propostas neste edital vai até o dia 9 de abril.

“Se há uma guerra fiscal, é uma guerra desigual. Os incentivos surgiram para equilibrar a disparidade e permitir condições mínimas de concorrência ao Centro-Oeste e Norte”, diz Francisco Júnior, Presidente da Codego | Foto: Guilherme Alves/ Jornal Opção

Ton Paulo — O atual modelo de incentivos fiscais está com os dias contados. Isso tem preocupado muitos governos estaduais, que agora buscam estratégias para manter suas indústrias e empresas nos respectivos territórios. Qual é a estratégia da Codego para manter as empresas no Daia e em Goiás? Como evitar uma debandada com o fim dos incentivos?

Primeiramente, é importante destacar que os incentivos fiscais foram — e ainda são — fundamentais para o desenvolvimento da industrialização no Brasil. Eu lamento profundamente essa visão que considera a chamada “guerra fiscal” como algo negativo. Na verdade, não é apropriado usar esse termo quando falamos de estados como Goiás, que estão no centro do país, com uma grande riqueza natural, mas distantes dos grandes centros consumidores.

Se há uma guerra, é uma guerra desigual. Como competir com o Sudeste, que tem densidade demográfica maior, infraestrutura mais desenvolvida e mercado consumidor muito mais próximo? Os incentivos fiscais surgiram justamente para equilibrar essa disparidade. Eles não geraram vantagem, mas permitiram condições mínimas de concorrência aos estados do Centro-Oeste e Norte.

Infelizmente, essa tese da guerra fiscal e da desigualdade venceu, e a reforma tributária foi aprovada. Diante disso, precisamos ser ainda mais criativos e competentes.

Na Codego, nosso foco tem sido, primeiro, fortalecer as empresas que já estão instaladas. Eu uso o termo “enraizar” essas empresas, ou seja, criar vínculos mais profundos com elas. Tenho visitado semanalmente várias empresas importantes, conversado sobre suas demandas e analisado oportunidades de atrair fornecedores ou parceiros estratégicos que possam tornar essas empresas ainda mais competitivas.

O subsídio no valor da terra continua sendo um incentivo relevante, mas não é o mais importante. O mais importante é a forma como o Estado acolhe o empreendedor. Hoje, a Codego trabalha lado a lado com o empresário, em parceria com diversas secretarias — Meio Ambiente, Indústria e Comércio, Ciência e Tecnologia, Agricultura e Pecuária — para mostrar que Goiás está comprometido com o desenvolvimento e a geração de empregos.

Esse esforço tem colocado o estado num ritmo de crescimento duas vezes e meia acima da média nacional. Goiás vive um momento de desenvolvimento acelerado e nosso trabalho é garantir que esse ritmo continue, por meio da desburocratização, do apoio técnico e da valorização de quem escolhe investir aqui.

Italo Wolff — Na prática, o que o Estado pode oferecer, além dos incentivos fiscais, para manter as empresas em Goiás após 2030 e evitar que migrem para outros estados?

Como mencionei anteriormente, a estratégia é o enraizamento das empresas que já estão operando em Goiás. E isso passa por diversos aspectos, como a qualificação da mão de obra e a valorização da nossa centralidade logística.

Apesar de estarmos longe dos grandes centros consumidores, nossa localização é extremamente estratégica: estamos a um dia de viagem de mais de 80% da população brasileira. Para empresas que atendem o mercado nacional, isso é um diferencial importante. Estamos trabalhando para divulgar essas vantagens e fortalecer um ambiente favorável aos negócios.

Entre as ações práticas, destaco o foco na oferta de mão de obra qualificada. Nesta semana, por exemplo, aprofundamos estudos com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) para identificar as vocações de cada região do Estado. A ideia é reforçar o treinamento em todas as frentes — da mão de obra mais básica à mais especializada.

Um exemplo concreto disso é a atuação de Goiás na área de Inteligência Artificial. Hoje, o estado se destaca nacionalmente por estar investindo nessa frente, demonstrando modernização, abertura à inovação e compromisso com o futuro.

Além disso, há um esforço contínuo de desburocratização e modernização da legislação para facilitar o ambiente de negócios, tanto para empresas nacionais quanto internacionais. O investimento em infraestrutura também é decisivo: o Estado tem adotado novas modalidades de contratação para acelerar obras em rodovias, melhorando a malha viária e, com isso, o escoamento da produção. Tudo isso contribui para a competitividade de Goiás como um polo de atração e retenção de empresas.

Francisco Júnior: “Somos um país muito especial — no mau sentido — porque fazemos tudo diferente. É difícil compreender uma política nacional que parece trabalhar contra o próprio povo” | Foto: Guilherme Alves/ Jornal Opção

Italo Wolff — Goiânia é caracterizada principalmente pelo setor de serviços. O senhor acredita que a capital poderia ter um distrito industrial?

Tenho muito entusiasmo com a ideia de um distrito tecnológico em Goiânia, mas essa proposta depende muito da atuação da prefeitura. Já existem iniciativas, como o Hub Tecnológico, mas acredito que o Centro da cidade tem potencial para abrigar um distrito tecnológico maior.

O Centro possui infraestrutura adequada, com fibra ótica em todas as ruas, energia disponível e espaço físico. É uma oportunidade para desenvolvermos uma experiência verticalizada com indústrias tecnológicas, que demandam apenas salas e computadores — como as de games, softwares ou outras ligadas à cadeia da telefonia celular. Isso é plenamente viável.

Além disso, destaco o potencial da região norte da capital, que abriga um polo moveleiro com capacidade de crescimento. Durante minha participação na elaboração do plano de governo do prefeito Sandro Mabel, discutimos justamente essa possibilidade: estruturar e aquecer tanto a fabricação quanto a comercialização de móveis. Pensamos em iniciativas como uma feira específica e espaços dedicados à produção e venda desses produtos.

Já na região noroeste, há também uma oportunidade de implantação de um polo calçadista e de incentivo à indústria têxtil. Goiás é um grande produtor do setor de moda, com polos importantes em cidades como Jaraguá e Pontalina. Essa indústria alimenta feiras como a Feira Hippie e a região da Rua 44, mas poderia ser ainda mais fortalecida dentro de Goiânia.

Na região noroeste da capital, já existem diversas empresas de confecção atuando. O desafio agora é transformar essa realidade em algo mais estruturado, por meio da organização de Arranjos Produtivos Locais (APLs), gerando emprego, renda e desenvolvimento regional.

Ton Paulo — Qual é o grau de participação da Codego na negociação com o Porto de Suape para o escoamento de produtos do agronegócio?

A Codego entende que tem um papel fundamental em colaborar para que as empresas goianas se tornem mais competitivas. No caso do Porto de Suape, realizamos uma visita técnica a Pernambuco para conhecer o funcionamento do pátio de triagem do porto. Fomos com uma comitiva da Codego até Recife e vimos de perto a estrutura implantada lá, que é moderna e eficiente. Pernambuco tem grande interesse em se posicionar como um novo corredor logístico para a exportação de grãos, o que representa uma alternativa promissora.

Empresários goianos, inclusive por meio da Fieg, também têm mantido tratativas com o Porto do Açu, no Rio de Janeiro. Há uma busca por alternativas ao Porto de Santos, que embora seja o maior e mais próximo, sofre com alta movimentação e, por consequência, custos elevados com cargas paradas. Portos mais dinâmicos podem oferecer vantagens competitivas importantes.

A Codego, nesse contexto, assinou um protocolo de intenções como interveniente entre empresas de Goiás e o Porto de Suape. Nosso papel é o de mediação, de facilitar o caminho — ou, como costumo dizer, apresentar a faca para o queijo. Estamos ao lado do empreendedor para articular soluções com o Estado e fornecedores externos.

Um exemplo concreto: algumas regiões do estado enfrentam dificuldades de desenvolvimento por conta da limitação energética. Como resposta, atendendo a um convite da indústria de baterias Moura, visitamos recentemente a fábrica da empresa em Belo Jardim (PE). Eles estão desenvolvendo grandes baterias — do tamanho de contêineres — capazes de armazenar energia solar, o que resolve um dos principais gargalos desse tipo de energia, que é a intermitência. O objetivo é apresentar essa solução a regiões de Goiás com dificuldade de fornecimento de energia, especialmente nesse momento de transição energética.

A Codego é a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás. Não somos apenas gestores de distritos industriais — temos como missão buscar soluções, promover parcerias e fomentar o crescimento. Participamos de feiras, buscamos novas tecnologias, ajudamos empresas a se instalarem, e incentivamos o crescimento das pequenas para médias, das médias para grandes, e das grandes para ainda maiores. Esse é o nosso papel.

“Somos um país muito especial — no mau sentido — porque fazemos tudo diferente. É difícil compreender uma política nacional que parece trabalhar contra o próprio povo”, diz Francisco Júnior | Foto: Guilherme Alves / Jornal Opção

Italo Wolff — Gostaria de ouvir uma análise do senhor sobre a economia nacional. Fora a guerra fiscal e os desafios regionais de Goiás, qual o senhor considera o maior obstáculo hoje para o crescimento da economia brasileira?

Costumo tentar entender o Brasil comparando com os países vizinhos. Somos um país muito especial — no mau sentido — porque fazemos tudo diferente. Com toda sinceridade, é difícil compreender uma política nacional que, muitas vezes, parece trabalhar contra o próprio povo.

Muita gente se espanta com as tarifas que o presidente dos Estados Unidos impõe ao resto do mundo, mas, sob a perspectiva do povo americano, ele está agindo em defesa dos interesses nacionais. Falta esse sentimento no Brasil. Aqui, parece que tratamos nosso povo como na Roma Antiga: aumentamos impostos e oferecemos pão e circo em troca.

Lamento dizer, mas há hoje uma evasão muito grande de divisas. Conheço diversos empresários goianos que já operam boa parte de seus negócios fora do país. E se isso está acontecendo, não é uma questão subjetiva — é um sinal claro de que a política econômica brasileira está equivocada. Se fosse o contrário, veríamos brasileiros trazendo de volta seus investimentos.

Mais grave ainda: o Brasil tem exportado seu principal ativo, que não é soja nem petróleo — são os jovens. As nossas mentes mais qualificadas não veem perspectiva aqui e buscam oportunidades no Canadá, na China, nos Estados Unidos, na Alemanha. Tenho vários amigos que já se tornaram cidadãos desses países. Isso evidencia que estamos perdendo capital humano qualificado por falta de um ambiente econômico promissor.

E o mais preocupante é que esse tema quase não entra no debate público. O próximo grande assunto será político, não econômico. O Brasil hoje discute muito mais ideologia do que soluções. Debatemos se alguém é de esquerda ou direita, quando, na prática, são os mesmos nomes de sempre na política nacional. Enquanto isso, deixamos de falar sobre emprego, qualidade da educação, oportunidades.

Não existe uma política econômica bem estruturada e, pior, não há integração com uma política social eficiente. Uma política social séria precisa ter uma porta de entrada e uma porta de saída. Já ouvi o governador Ronaldo Caiado e a primeira-dama Gracinha Caiado dizerem que os números que eles comemoram são os que diminuem. Ou seja, o foco é reduzir o número de famílias que precisam da ajuda do Estado — e não comemorar quantas cestas básicas foram distribuídas.

Esse é o papel do Estado: fazer com que as pessoas caminhem com as próprias pernas. Hoje, infelizmente, o Brasil parece seguir na direção contrária.

Francisco Júnior sobre seus planos políticos: “Tenho dois projetos políticos muito claros e definidos: Daniel Vilela governador e Ronaldo Caiado presidente” | Foto: Guilherme Alves / Jornal Opção

Ton Paulo — Presidente, hoje o senhor está à frente da Codego, mas tem uma trajetória marcante na política, com passagens pela Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e pela Câmara dos Deputados. O senhor tem planos para o próximo ano? As eleições de 2026 já estão sendo articuladas, com disputa para a Presidência e para o Legislativo. O senhor pretende se candidatar?

 Existe uma expressão antiga e muito sábia: “pra cada dia, sua agonia”. E, hoje, a minha é a responsabilidade com a função que desempenho. Mas, em termos de projetos políticos, tenho dois projetos muito claros e definidos: Daniel Vilela governador e Ronaldo Caiado presidente. Essa é a minha prioridade. Qualquer decisão pessoal que eu venha a tomar no momento oportuno passará por esses dois líderes, que representam hoje a liderança maior em nosso Estado.

Acho que se perde muito no processo político quando se deixa de reconhecer lideranças e projetos maiores. Eu construo meu projeto político a partir dessa perspectiva. E qual é o principal projeto político de Goiás hoje, para qualquer vereador, deputado ou gestor público? É a possibilidade de termos um presidente da República goiano. Isso seria inédito e traria um olhar diferenciado para o centro do Brasil. Pode haver quem discorde, mas é preciso avaliar o que significou essa oportunidade para outras regiões — o Norte, o Nordeste, Minas Gerais. Agora, talvez, seja a vez de Goiás.

Temos potencial. E temos o que apresentar. O governador Ronaldo Caiado não é apontado como o melhor gestor do país apenas por opinião isolada — são pesquisas que mostram, há dois anos consecutivos, que ele lidera os índices de avaliação em saúde, educação e segurança. Isso nos credencia a levá-lo a um projeto nacional de desenvolvimento. É um movimento que precisa ser levado a sério.

Há, inclusive, comentários sobre a última pesquisa, que apontou Caiado com quase 5% de intenção de votos — mais do que o total de eleitores de Goiás, o que mostra que esse projeto já ultrapassou o Paranaíba. É um projeto crescente.

O segundo projeto é a continuidade desse trabalho em Goiás. Com a possível candidatura do governador à Presidência, Daniel Vilela assumiria o governo e, naturalmente, deve se candidatar à reeleição. Então, nesse momento, meu foco está em contribuir com esses dois projetos maiores.

Em relação a um projeto pessoal, vou avaliar no tempo certo. Graças a Deus, tenho uma trajetória com muitos resultados: fui vereador, presidente da Câmara Municipal, secretário em Goiânia, deputado estadual por dois mandatos e deputado federal. Mas entendo que, neste momento, qualquer sacrifício pessoal vale a pena para garantir que Goiás continue nessa direção, com essa oportunidade inédita de protagonismo nacional.

Ton Paulo — O senhor concorda com a possibilidade de fusão entre o PSD e o PSDB? Qual é sua avaliação sobre isso?

Não estou participando diretamente dessas discussões, então não conheço os termos dessa possível fusão. Mas entendo que o Brasil vem amadurecendo no que diz respeito à estrutura partidária. Caminhamos para um modelo com menos partidos ou com grandes partidos que se associam a legendas menores por meio das federações. É uma tendência que já está em curso.

Acredito que seria o momento ideal para discutirmos também o ideário partidário, algo que tem se perdido com o tempo. Fala-se muito em ideologia política, mas pouco se discute o programa de cada partido. É raro encontrar um líder partidário que tenha lido o estatuto do próprio partido. Seria interessante que, nesse processo de reorganização, fizéssemos uma revisão dos programas partidários, do que cada legenda defende e propõe.

O Brasil é um país peculiar nesse sentido. Tivemos, por exemplo, governos que se diziam de esquerda, mas que lideraram privatizações em grande escala. E também vimos governos classificados como de direita implementarem políticas sociais amplas. Por isso, costumo dizer que temos uma suposta direita e uma suposta esquerda — o cenário é muito próprio, uma “jabuticaba”.

Na minha visão, seria positivo termos partidos mais bem definidos. Isso evitaria tantas trocas partidárias e daria ao eleitor mais clareza sobre o que esperar de um governo. Votaríamos menos em pessoas e mais em projetos. Talvez um modelo de listas partidárias funcionasse melhor, com menos personalização da política — algo que considero um dos grandes problemas do Brasil.

Mas essa é a minha visão ideal. O que temos hoje é diferente. Acredito que, somente após o período final de filiações, no ano que vem, lá para fevereiro ou março, teremos um cenário mais claro das forças políticas, das alianças e de como os partidos estarão organizados. A partir disso, tomarei minha decisão pessoal. Se permanecerei no PSD ou não. Mas, se o PSD não estiver alinhado com o projeto político do governador Ronaldo Caiado e do vice-governador Daniel Vilela, terei que buscar outro caminho.

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