Bolsonaro reluta em apoiar outros candidatos, mas líderes da direita herdarão seu eleitorado em 2026

Fenômeno nas eleições de 2018 e atualmente em situação delicada — inelegível e correndo risco de ser preso — Jair Bolsonaro (PL) resiste em ceder o palanque a outro líder da direita. A escolha pode fortalecer o presidente Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026.

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Mesmo impossibilitado de concorrer à presidência após decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023, Bolsonaro garante, sempre que tem oportunidade, que é o candidato da direita para tirar a esquerda do poder — sinal de que levará sua pré-candidatura até o limite do prazo legal, não apenas para manter sua influência, mas para evitar que outro nome da direita ocupe seu espaço. 

Além do ex-presidente, o nome de outros políticos da sua bolha familiar – Flávio (senador) e Eduardo (deputado federal licenciado), além da esposa, Michelle, também são cogitados ao pleito pelo Palácio do Planalto. A atitude do político, de não dar passagem a um nome alternativo em seu campo ideológico, é um prato cheio para o PT.

O fato de Bolsonaro ser conhecido pela dificuldade de construir e manter relações políticas duradouras fora de seu círculo familiar, fragmenta a direita. O cenário foi observado nas eleições municipais de São Paulo, que tive como protagonistas o prefeito Ricardo Nunes (MDB), o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) e o ex-coach Pablo Marçal (PRTB). Marçal entrou publicamente em atrito com Bolsonaro, mesmo tendo flertado com sua base política, o que contribuiu com a divisão do eleitorado da direita.

Porém, por trás da resistência de Bolsonaro, há uma leva de nomes — grande parte governadores — que buscam herdar o espólio bolsonarista, como Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul; Ratinho Junior (PSD), do Paraná; Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo; Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais; Ronaldo Caiado (UB), de Goiás. 

Os líderes podem avançar quando o ex-presidente Jair Bolsonaro for obrigado a abrir caminho. A polarização observada nas eleições de 2022 ainda se mantém e, ao que tudo indica, permanecerá em 2026. 

Bandeira mais explorada pela direita e pouco velarizado pela esquerda, a segurança pública pode ser um dos caminhos a serem trilhados para se desvencilhar do apoio de Bolsonaro. Ronaldo Caiado (União Brasil), inclusive, tem usado a área para enfrentar um dos maiores desafios da viabilização da candidatura: se tornar conhecido nacionalmente em meio a fragmentação de candidaturas de direita. 

Desde 2019, quando assumiu o cargo, o governador vem conseguindo reduzir o número de mortes violentas intencionais – aquelas que somam as vítimas de homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguida, conforme a Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO). Segundo as estatísticas, em 2018 foram registradas 2705 mortes, contra 1607 em 2023 – queda de 40,5%.

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