Covid longa afeta mais mulheres do que homens, revela estudo

A Covid longa, condição caracterizada pela persistência de sintomas após a infecção pelo coronavírus, afeta mais as mulheres do que os homens, segundo um estudo nacional financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde. A pesquisa, que analisou mais de 12 mil adultos, revelou que as mulheres têm um risco 31% maior de desenvolver a síndrome em comparação com os homens. Entre aquelas com idades entre 40 e 54 anos que ainda não haviam passado pela menopausa, o risco sobe para 45%, sugerindo que fatores hormonais podem estar diretamente relacionados à vulnerabilidade ao problema.

Os resultados, publicados na revista científica JAMA Network Open, destacam que mulheres em diferentes fases da vida apresentam variações na suscetibilidade à Covid longa. O estudo não encontrou diferenças entre mulheres pós-menopausa e homens da mesma idade, o que reforça a hipótese de que hormônios com estrogênio e progesterona possam ter um papel central na resposta imunológica contra o vírus e na persistência dos sintomas.

A professora Dimpy Shah, da Universidade do Texas Health Science Center, que liderou a pesquisa, apontou que “provavelmente é um efeito combinado de idade, gravidez e menopausa”. Ela acrescentou que mais estudos são necessários para compreender completamente como os níveis hormonais afetam o desenvolvimento da Covid longa. Enquanto o estrogênio pode estar ligado a respostas imunológicas crônicas e prolongadas, a progesterona e a testosterona parecem atuar de maneira reguladora no sistema imunológico, reduzindo a inflamação.

Outro ponto levantado pelos pesquisadores é que mulheres com Covid longa relataram sintomas distintos em relação aos homens. Enquanto eles apresentam maior tendência à disfunção sexual e sintomas respiratórios persistentes, as mulheres frequentemente sofrem com queda de cabelo, olhos secos, problemas gastrointestinais e perda prolongada de olfato e paladar. Além disso, a resposta autoimune ao vírus parece ser mais intensa nelas, levando a inflamações prolongadas mesmo após a eliminação do coronavírus do organismo.

A imunologista Akiko Iwasaki, da Escola de Medicina de Yale, observou que esses achados podem ter implicações diretas para os tratamentos. “Os hormônios desempenham um papel fundamental na Covid longa, e tratamentos de reposição hormonal podem ser benéficos para algumas pacientes”, afirmou. De acordo com ela, há relatos de melhora nos sintomas em mulheres que passaram a tomar doses controladas de testosterona, hormônio que ajuda a equilibrar as respostas imunológicas.

Outra especialista envolvida no estudo, Catherine Blish, imunologista da Universidade de Stanford, destacou que os mecanismos da Covid longa podem ser distintos entre os sexos. “Mesmo que os sintomas sejam semelhantes, os fatores subjacentes da doença podem ser bastante diferentes”, explicou. Enquanto as mulheres apresentam respostas autoimunes exacerbadas, os homens parecem ter mais dificuldades na fase inicial da infecção, indicando que a infecção viral pode ser mais persistente neles.

Embora os resultados apontem caminhos promissores para novas abordagens terapêuticas, a pesquisa também tem suas limitações. Os cientistas não analisaram diretamente os níveis hormonais dos participantes nem coletaram dados sobre ciclos menstruais, gravidez ou uso de anticoncepcionais. No entanto, Shah afirmou que a equipe de pesquisa pretende aprofundar essas questões em estudos futuros.

 “Este estudo oferece prova de que as preocupações das mulheres com a Covid longa são válidas e que elas devem buscar ajuda médica caso apresentem sintomas prolongados”, ressaltou Shah.

Além de identificar os fatores de risco, os pesquisadores destacam a necessidade de estratégias diferenciadas para prevenção e tratamento da Covid longa. Isso pode incluir desde terapias hormonais até mudanças nos protocolos de atendimento para garantir que os sintomas sejam identificados precocemente e tratados adequadamente.

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