The party’s over: entenda a razão do jogo duro de Trump

Caim matando Abel deu início ao uso da violência para conquista de poder e riqueza. Desde então, o uso da força bruta tem sido um instrumento do mais forte para subjugar os mais fracos. As guerras, que têm sido travadas incessantemente entre as nações, é uma sequência do abandono da diplomacia e a adoção da força pelas nações para atingir os seus objetivos.

Uma mudança radical, na disputa pelo poder, aconteceu por influência da publicação de um livro do professor universitário Joseph Nye, do qual o mundo adotou a expressão “soft power”. O termo foi usado pela primeira vez no final dos anos 1980. Ele desenvolveu o conceito em seu livro de 2004 “Soft Power: The Means to Success in World Politics” (em português, “Soft Power: Os meios para o sucesso na política mundial”).

Soft power é a capacidade de um país influenciar as decisões e comportamentos de outros atores internacionais não por coerção ou pagamento, mas por meio da atração e persuasão, utilizando recursos culturais, valores ideológicos, políticas externas e a projeção de uma imagem positiva. Segundo Nye: “Se você conseguir atrair os outros, de modo que queiram o que você quer, vai ter que gastar muito menos em cenouras e porretes”.

O Vaticano não tem poder militar, mas, usando e abusando do soft power, tem a sua voz ouvida e muitas vezes acatada. Não só a Igreja Católica colhe resultados desta política como, influenciada por ela, o mundo beneficiou-se dela na Guerra Fria entre União Soviética e Estados Unidos. O resultado palpável foi a Pax Americana, que está sendo ameaçada pelo governo de Donald Trump com a volta ao hard power, o antigo big stick.

Os maus resultados da retomada do hard power não estão ainda visíveis. Ainda já estão surgindo alguns sinais: uma guerra comercial de final imprevisível; um desencadeamento de um boicote às empresas e produtos americanos; a perda de aliados incondicionais como Grã-Bretanha, Canadá, Dinamarca, e a perda pelos Estados Unidos de um goodwill acumulado em muitos anos. Sem falar no desarranjo no mercado americano da cadeia produtiva e distributiva.

Os Estados Unidos estão regredindo ao isolacionismo dos tempos do presidente Woodrow Wilson (1856-1924). Os americanos só adquiriram a hegemonia mundial depois de terem se envolvido na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) substituindo a Grã-Bretanha como responsável pela ordem mundial.

Como todas as moedas têm dois lados, também a mudança política do Trump terá alguns bons resultados como: despertar a Europa para assumir a responsabilidade pela sua defesa; a imperiosidade da redução dos déficits públicos, que ameaçam as economias mundiais, inclusive a americana; a racionalização do Welfare State que alimentou a nociva agenda Woke com os desvirtuamentos do DEI (descriminação, equidade e inclusão).

Trump, na conhecida expressão em inglês, é um disruptor. Um agente que revoluciona os princípios institucionais. O projeto Doge, sob Elon Musk, outro disruptor, se bem-sucedido, pode livrar o mundo de uma grande ameaça: a falência da economia americana com o seu insustentável déficit público de 1 trilhão de dólares e uma dívida pública de 36 trilhões de dólares.

Pouco se fala da catástrofe mundial, a continuar o alto custo da máquina governamental dos Estados Unidos. A perda da confiança na economia americana, que já está acontecendo com: a fuga do dólar como moeda de reserva dos países, que estão trocando os títulos do tesouro americano por ouro ou moedas digitais; no rebaixamento pelas agências de rating de triple AA A para doble AA; no fim do acordo do Petrodólar com a Arábia Saudita…

Como consequência, a ação disruptiva de Trump forçará as economias mundiais a acordar para a realidade. O atual sistema do Deep Government chegou ao fim. O hard power exigirá uma volta ao governo enxuto, racionalização do Welfare State e a adequação à realidade das pretensões da agenda Woke.

Assim como as pessoas sérias, os países vão ter de reaprender que só o trabalho árduo, a poupança e o investimento geram recursos para pagar as contas. A hora da verdade está apresentando a sua. O tempo de malabarismos financeiros acabou. E o hard power (Big Stick) de Trump a fará de maneira bruta e cruel, pois este é o seu método e o tesouro americano exige ajustes, está esgotado.

The Party’s over. A festa acabou.

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