Cabras que viveram mais de 200 anos sem água serão estudadas pela Embrapa

Após mais de 200 anos vivendo isoladas e sem acesso a água doce na Ilha Santa Bárbara, no arquipélago de Abrolhos, extremo sul da Bahia, um rebanho de cabras foi retirado em uma operação coordenada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Os animais serão estudados pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) e pela Embrapa devido à impressionante capacidade de adaptação à escassez hídrica.

Segundo o Portal CompreRural, a remoção dos 27 animais foi concluída em março e faz parte de um plano de manejo iniciado em janeiro de 2024, com o objetivo de preservar a vegetação nativa e proteger as aves marinhas que se reproduzem no arquipélago. A presença das cabras era considerada um fator de degradação ambiental, interferindo diretamente no ecossistema da ilha e na reprodução de espécies ameaçadas, como a grazina-do-bico-vermelho.

A ação envolveu também a Marinha do Brasil, a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) e a própria Embrapa. As cabras foram levadas para o campus da Uesb em Itapetinga, onde estão em quarentena, sendo monitoradas para evitar o contato com outros rebanhos devido à sensibilidade a doenças e parasitas.

Cabras serão estudadas l Foto: Reprodução

Pesquisadores acreditam que o isolamento e a sobrevivência sem fontes de água potável podem estar ligados a características genéticas únicas. “Esses genes podem melhorar o desempenho de animais do continente, tornando-os mais resistentes em áreas com escassez de água”, explica Ronaldo Vasconcelos, professor de zootecnia da Uesb.

O rebanho será avaliado para a possível implementação de um plano de conservação genética, com o armazenamento de sêmen e embriões. A ideia é que, caso confirmada a singularidade genética, esse material possa ser usado para melhorar a criação de caprinos no semiárido brasileiro, região onde a criação de cabras é vital para a segurança alimentar de comunidades de baixa renda.

Segundo registros históricos, as cabras teriam sido levadas à ilha por navegadores no período colonial, como garantia de alimento durante longas expedições. A Ilha Santa Bárbara é a única habitável do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos — o primeiro parque marinho do Brasil, criado em 1983 — e fica a cerca de 65 km da cidade de Caravelas (BA). O local foi visitado por Charles Darwin em 1832.

Além dos caprinos, o ICMBio também trabalha na erradicação de outras espécies exóticas invasoras em Abrolhos, como roedores que ameaçam os ovos das aves marinhas.

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