“Ninguém ganha com a guerra tarifária entre os países”, afirma Geraldo Alckmin

Por Hylda Cavalcanti
Especial para o blog

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin — também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — afirmou nesta quinta-feira (03/04), durante o Podcast Direto de Brasília, do jornalista Magno Martins (que contou com a participação de vários jornalistas do Nordeste), que “ninguém ganha com a guerra tarifária entre os países”. A declaração foi feita quando ele foi questionado sobre o impacto do tarifaço divulgado ontem pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

Segundo Alckmin, apesar de o Brasil ter sido um dos países menos atingidos, com o menor percentual de aumento de tarifas (10%), as medidas anunciadas por Trump não foram boas para o comércio de país nenhum.

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O vice-presidente destacou e elogiou o empenho do Congresso Nacional por ter votado com celeridade um projeto de lei que estabelece arcabouço jurídico quanto à questão, mas disse que, mesmo assim, o governo brasileiro pretende atuar, antes, “por meio do diálogo e da negociação”. E assegurou que já estão sendo agendadas reuniões entre vários setores da economia para tratar do tema, tanto brasileiros como norte-americanos.

Quando perguntado sobre o motivo pelo qual a votação aparentou para o país que o Legislativo tomou a frente do Executivo Federal na iniciativa, ele enfatizou que a atuação foi conjunta.

Conforme relatou, o Senado já vinha elaborando, com a ajuda do Governo, um projeto desde quando a União Europeia ameaçou adotar restrições ao agronegócio brasileiro. E, diante do tarifaço anunciado por Trump, os parlamentares praticamente já tinham pronto um texto, que foi aperfeiçoado com o apoio do Executivo, e partiram para a votação.

Relação sólida

O vice-presidente também ressaltou que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos não se desfaz da noite para o dia, pois possui 200 anos. “Temos 4 mil empresas americanas no Brasil, então é uma parceria importante que existe entre os dois países”, frisou. “Queremos ampliar isso e aperfeiçoar essa relação, superando as dificuldades”, acrescentou.

Em tom bem-humorado e, como sempre, muito cordial, o vice-presidente foi o primeiro convidado do podcast intitulado Direto de Brasília, que será realizado todas as quartas-feiras na capital do país.

Ele aproveitou para relembrar momentos vividos com o ex-senador e ex-vice-presidente pernambucano Marco Maciel e contou que gosta de relaxar na sua terra natal, a cidade paulista de Pindamonhangaba – para onde viaja sempre que pode.

Homenagem a Covas

Alckmin fez questão de destacar a importância que o ex-senador e ex-governador paulista já falecido Mário Covas teve em sua trajetória. Quando elogiado como um bom vice-presidente e por ter sido um bom governador de São Paulo, afirmou que deve tudo a Covas.
“Fui co-piloto de um grande comandante. Mário Covas, além da conhecida experiência técnica, tinha enorme sensibilidade social”, disse.

Elogios a João Campos

Quando questionado sobre os nomes que têm despontado no seu atual partido, o PSB, o vice-presidente lembrou que conviveu com Eduardo Campos [ex-governador falecido de Pernambuco e pai do atual prefeito do Recife, João Campos] quando ambos foram governadores, e que o considerava uma pessoa extraordinária. Ao seu ver, João Campos tem provado, pelo governo que tem feito, que “puxou a vocação do pai”.

Ele também exaltou o governador da Paraíba, João Azevêdo, a quem considera que está fazendo “um ótimo governo”.

Perguntado sobre críticas que têm sido feitas recentemente ao Governo Lula, refletidas pelas pesquisas de opinião, Alckmin destacou que essas críticas ocorrem em um momento de adversidades conjunturais, como alta do dólar e eventos climáticos extremos que impactaram a produção de alimentos.

Mas acentuou que o Governo Federal adotou medidas para conter a inflação, como a isenção de impostos federais sobre alimentos e a redução a zero da alíquota de importação para dez produtos da cesta básica.

“O clima melhorou e o dólar já caiu. Isso tende a reduzir os preços e ajudar no controle da inflação”, explicou.

O vice-presidente também rebateu críticas relacionadas ao episódio do Pix, que gerou desgaste na imagem do governo. De acordo com ele, a proposta visava apenas aprimorar mecanismos de fiscalização já existentes, e não aumentar impostos. Em sua opinião, a repercussão negativa ocorreu por falhas de comunicação.

“Hoje é preciso ter muita atenção com a forma como se comunica. Transparência e prestação de contas são fundamentais”, afirmou, ao ressaltar que o momento é de meio de mandato e que a reforma tributária aprovada pelo Congresso “tende a melhorar o ambiente econômico no médio e longo prazo”.

Candidato natural

Alckmin disse achar natural que o presidente Lula seja candidato à reeleição em 2026, destacando sua liderança, experiência e o fato de ser o único brasileiro a exercer três mandatos presidenciais.

Para ele, mesmo diante de oscilações nas pesquisas, Lula segue como favorito. O vice avaliou que o governo tem enfrentado desafios, sim, mas acredita que as medidas irão melhorar a percepção da população. “A inflação não é socialmente neutra. O pobre vê o salário derreter no bolso”, alertou.

Perguntado se ocuparia novamente a vaga de vice em uma eventual candidatura de Lula, disse ter se sentido honrado pelo convite em 2022 e que a chapa foi decisiva para a vitória, especialmente pela redução da diferença de votos em São Paulo.

Também afirmou que a união “ajudou a salvar a democracia brasileira”, destacando sua trajetória pública desde os tempos de vereador, prefeito e fundador do PSDB. “A democracia é o povo que decide. As ditaduras suprimem a liberdade em nome do pão, mas não dão o pão que prometeram nem devolvem a liberdade que tomaram”, declarou.

Quanto às reclamações de que Lula tem adotado postura diferente em relação aos seus governos anteriores, com um viés menos político, o vice ressaltou que essas críticas são “feitas pelo fato de o Brasil ter um excesso de partidos políticos, o que faz com que nem todos se sintam atendidos”, mas assegurou que “o relacionamento entre Executivo e Legislativo é muito bom”.

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