Juventude brasileira navega nas redes entre a precarização trabalhista e a revolução

A juventude brasileira enfrenta um cenário de profunda desigualdade e incertezas. Com jornadas exaustivas (como a escala 6×1), muitos jovens veem seus sonhos limitados por um sistema econômico que os empurra para a informalidade. Em cidades como Araraquara (SP), onde a Uber é uma das maiores empregadoras, trabalhadores enfrentam condições precárias, sem direitos básicos ou garantias. “A juventude está sendo esmagada pela falta de perspectiva”, destaca Guilherme Bianco, vereador pelo PCdoB na cidade paulista.

A educação também é um campo de batalha. Universidades públicas, apesar de avanços como a lei de cotas, sofrem com cortes de recursos e a ameaça de privatizações. Manuela Mirella, presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), ressalta: “A reforma universitária e a taxação das grandes fortunas são essenciais para garantir acesso e qualidade”.

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A guerra cultural nas redes sociais

Sobre a disputa nas redes, ambos apontaram desafios. “As big techs amplificam o ódio e o individualismo. Enquanto a direita espalha mentiras em 5 segundos, nós lutamos para furar a bolha com debates profundos”, disse Manuela. Bianco destacou a necessidade de regulamentação: “Elas operam como estados paralelos. Precisamos de leis que as obriguem a respeitar a democracia”.

Manuela destacou os efeitos da pandemia e do avanço das redes sociais na formação de uma juventude “bombardeada por informações”, mas ainda rebelde. “Vivemos contradições: de um lado, um sistema que incentiva o individualismo; de outro, jovens indignados com escalas de trabalho exaustivas, falta de acesso à universidade e ao emprego digno”, afirmou.

Guilherme Bianco reforçou: “A juventude enfrenta a precarização do trabalho e a desindustrialização. Muitos formados viram motoboys ou entregadores de app”.

As redes sociais tornaram-se o principal palco da disputa ideológica. Enquanto a extrema direita usa narrativas de “prosperidade individual” e fake news para ganhar adeptos, movimentos populares lutam para combater a desinformação e mobilizar coletivamente. “A internet não pode ser terra sem lei”, afirma Manuela, referindo-se à necessidade de regulamentar plataformas como Google e Meta, que amplificam discursos de ódio e desigualdade.

Guilherme Bianco complementa: “A esquerda precisa ocupar esse espaço com criatividade, mas sem abandonar as ruas”. Ações como a criação de cooperativas de entregadores e aplicativos autogestionários, como o projeto “Morada Car” em Araraquara, mostram alternativas concretas ao modelo exploratório das big techs.

Educação e trabalho: eixos centrais da luta
A defesa da reforma universitária, assistência estudantil e a taxação de grandes fortunas para financiar políticas públicas foram pautas centrais citadas por Manuela. “Não basta garantir matrícula: é preciso permanência. A UNE luta por restaurantes universitários, transporte e contra a escala 6×1, que impede o estudante-trabalhador de viver com dignidade”. Bianco exemplificou com a realidade de Araraquara: “A terceira maior empregadora da cidade é a Uber. Precisamos regulamentar apps e criar cooperativas que garantam direitos”.

PCdoB e Juventude: Uma História de Resistência”

O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) mantém uma ligação histórica com a juventude, desde a criação da União da Juventude Socialista (UJS) nos anos 1980 até as atuais mobilizações contra a reforma trabalhista. “O PCdoB entende que a juventude é protagonista das transformações”, explica Guilherme. A UNE, sob liderança de Manuela, segue na linha de frente, organizando atos pelo fim da escala 6×1 e pela regulamentação do trabalho por aplicativo.

Questionados sobre a relação histórica do PCdoB com a juventude, os convidados citaram conquistas como a Lei do Estágio e a luta pelo voto aos 16 anos. “O PCdoB é um partido jovem na essência: combate o fascismo com rebeldia e propõe um socialismo com a cara do Brasil”, afirmou Manuela. Bianco ressaltou: “Ser comunista é uma escolha diária. Nossos quadros saíram das trincheiras do movimento estudantil e seguem firmes”.

A sigla também se destaca na defesa de políticas públicas, como o ProUni e o ReUni, que democratizaram o acesso à educação superior. “Sem organização, não há vitória”, reforça Manuela, lembrando a resistência durante o governo Bolsonaro.

Revolução genética: a juventude ainda é transformadora

Inspirados na frase de Che Guevara, o debate encerrou com otimismo. “A juventude tem genética revolucionária. Mesmo sob ataques, ocupamos ruas, câmaras e universidades”, disse Manuela. Bianco concordou: “O sistema nos oferece barbárie, mas a juventude sabe que a saída é coletiva. É por isso que levantamos todos os dias”.

O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) mantém uma ligação histórica com a juventude, desde a criação da União da Juventude Socialista (UJS) nos anos 1980 até as atuais mobilizações contra a reforma trabalhista. “O PCdoB entende que a juventude é protagonista das transformações”, explica Guilherme.

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