Sem sombra: Goiânia corta árvores altas para evitar danos a fios elétricos

As duas árvores mais altas da Rua 89, Setor Sul, foram cortadas na manhã desta quinta-feira, 3. A sibipiruna (Caesalpinia pluviosa) e a sete copas (Terminalia catappa) eram os dois últimos exemplares com mais de 15 metros de altura na via, que já foi sombreada por árvores dos dois lados da pista. 

O proprietário do imóvel em frente às árvores abriu um processo de poda e extirpação junto à Agência Municipal do Meio Ambiente de Goiânia (Amma). Os técnicos da Agência fizeram um laudo e concluíram que sibipiruna estava com fungos nas raízes e ponteiras secas; a sete copas danificava a calçada. 

No laudo obtido pelo Jornal Opção, se lê: “Como Compensação Ambiental pela retirada dos exemplares de Sete Copas e Sibipiruna, será necessário que o proprietário do imóvel realize o plantio de 01 (uma) muda da espécie Pata de Vaca (Bauhinia sp.)”. A Pata-de-Vaca Rosa é uma árvore ornamental de cinco a nove metros de altura. 

Gustavo Cruvinel, diretor de Parques e Áreas Verdes da Amma, afirmou: “Além dos danos ao imóvel, há risco à vida caso a árvore caia. Devido às mudanças climáticas, estamos tendo eventos mais extremos. Na semana passada passada, tivemos ventos de até 150 km/h.” 

Segundo o diretor, nos três primeiros meses deste ano, já foram abertas 885 solicitações para vistoria de árvores. Desse total, 111 solicitações resultaram em podas e 65 em extirpações das árvores. A Amma mobiliza a Comurg para realizar os cortes e, quando necessário, a Defesa Civil, Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito e Equatorial para proteger a rede elétrica durante a remoção. 

Imagens do Google Street View revelam que a mesma calçada da Rua 89 tinha, em 2011, quatro árvores. 

O Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU) aprovado em 2024, determinou a retirada de diversas espécies típicas do cerrado capazes de oferecer sombra, como a Gameleira (Clusia burchelli) e Jenipapo (Genipa americana). A tendência é de que esses exemplares sejam substituídos por espécies baixas, que não cheguem aos fios de eletricidade. 

Árvores contra fios

Zilma Peixoto, presidente da Amma, afirmou que, nas últimas semanas de chuva e vento intensos, muitas árvores caíram na capital por terem sofrido podas inapropriadas. “Há um termo de cooperação entre Amma e Equatorial. A Equatorial pode fazer a poda da árvore para proteger fios de luz, mas verificamos que, muitas vezes, eles tiram a árvore dos fios. No termo de cooperação está muito claro que essa poda precisa atender ao plano de arborização.”

“Se não podemos resolver o problema apenas com uma poda, lamentavelmente, precisamos extirpar a árvore e fazer o plantio de uma espécie que não chegue até a afiação”, disse Zilma Peixoto. “Não posso deixar esse passivo arbóreo todo destruído, vulnerável ao vento por podas erradas, causando danos quando caem”. 

Presidente da Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma), Zilma Peixoto, em entrevista ao Jornal Opção | Foto: Guilherme Alves / Jornal Opção

Cidade arborizada

Em 2024, Goiânia foi reconhecida como uma das cidades mais arborizadas do Brasil, pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO-ONU) e a Fundação Arbor Day reconhecem Goiânia como “Tree Cities Of the World”, ou “Cidade Árvore do Mundo”.

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