Secretário aponta “total abandono” de Rogério Cruz às pessoas em situação de rua de Goiânia

O secretário de Desenvolvimento Social de Goiás (SEDSGO), Wellington Matos, criticou a gestão do prefeito Rogério Cruz ao afirmar que houve “abandono total” dos equipamentos sociais voltados à população em situação de rua em Goiânia. Segundo ele, os centros de acolhimento, os restaurantes populares e o Centro POP foram negligenciados, dificultando o atendimento a esse público. “Houve um total abandono por parte da prefeitura naquele momento”, destacou Matos ao Jornal Opção.

De acordo com o secretário estadual, o Governo de Goiás repassou recentemente R$ 6 milhões para a capital dentro do programa de cofinanciamento estadual, que destina recursos do fundo estadual para os municípios. Esse valor, segundo o secretário, pode ser utilizado para fortalecer a assistência social, incluindo a reestruturação dos serviços específicos às pessoas em situação de rua.

O secretário também destacou a iniciativa estadual “Dignidade na Rua”, realizada em parceria com órgãos como Defensoria Pública, Ministério Público e Tribunal de Justiça. Ele explicou que, embora a responsabilidade principal seja do município, o governo estadual decidiu intervir para suprir a ausência de ações da Prefeitura.

“De Volta para Casa”

Sobre o programa estadual “De Volta para Casa”, Matos esclareceu que o retorno ao estado de origem só ocorre mediante solicitação da própria pessoa ou da família. “Não é intenção do Estado simplesmente devolver essas pessoas. Queremos oferecer atendimento básico, empregabilidade e moradia digna”, afirmou.

Com os novos recursos repassados, a expectativa do governo estadual é que a Prefeitura de Goiânia implemente ações mais eficazes para reduzir a vulnerabilidade dessa população. O Jornal Opção questionou o que a Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos de Goiânia (Semasdh) irá fazer com o dinheiro, mas ainda não obteve retorno.

Ações higienistas de Rogério Cruz

Conhecido como “o pior prefeito que Goiânia já teve”, Rogério Cruz alugou por R$ 5,9 milhões um prédio para abrigar a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social (Sedhs). No valor de R$ 70 mil por mês, a locação foi feita por meio de dispensa de licitação. Antes vazio, por muito tempo o local foi templo para uma igreja evangélica.

Prédio onde ficava a secretaria de assistência social na gestão de Rogério Cruz | Foto: Google Maps

Após a saída de Maria Yvelona, a pasta foi comandada por Luanna Shirley de Jesus Sousa, que ficou até o final da gestão de Cruz. As duas nunca atenderam a imprensa.

Além de não prestar assistência às pessoas em situação de vulnerabilidade, o prefeito Rogério Cruz agiu com violência contra elas. Segundo o Movimento Nacional da População em Situação de Rua (MNPR), as ações higienistas da prefeitura incluíram remoção forçada, destruição de pertences e a falta de alternativas dignas de moradia, desrespeitando os direitos básicos dessa população.

Deixados de fora do último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) de 2022, ninguém sabe ao certo o número de pessoas em situação de rua em Goiânia. Segundo a última pesquisa, realizada em 2019 pela Universidade Federal de Goiás (UFG), a população nestas condições chegava a 1,2 mil. 

  • Leia também: Prefeitura trabalha em projeto para retirar pessoas em situação de vulnerabilidade das ruas de Goiânia
  • População em situação de rua faz manifestação contra ação higienista da Prefeitura de Goiânia

O post Secretário aponta “total abandono” de Rogério Cruz às pessoas em situação de rua de Goiânia apareceu primeiro em Jornal Opção.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.