Bolsonaro, o herói e autor da armadilha numa só pessoa

Por Luis Tôrres

Do blog do Luis Tôrres

Jair Bolsonaro empunha a bandeira da anistia para os envolvidos no 8 de janeiro. Um discurso épico que revela que o líder não abandou seu povo, apesar de ser também uma introdução de uma autodefesa, e que vai ser reforçado no ato nacional convocado para amanhã, no Rio de Janeiro. O irônico, no entanto, – para não dizer sarcástico – de tudo isso é que Bolsonaro quer ser o herói da anistia para salvar os aliados da armadilha que ele próprio criou.

Alguém já parou para pensar sobre isso?

Não tivesse ao longo de quatro anos de governo, e mais contundentemente no ano de 2022, instigado a tese de ilegalidade das eleições e, consequentemente, da impossibilidade de aceitar uma eventual derrota nas urnas, não se teria criada um “exército” de inconformados que deixaram suas vidas para mergulhar numa fantasia que os levaram a pagar por ela na dimensão da realidade.

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Não tivesse deixado de reconhecer a vitória de Lula. Não tivesse deixado de dar posse ao presidente eleito. Não tivesse ficado em silêncio enquanto seus eleitores se esgoelavam na porta dos quartéis pedindo intervenção militar, muito provavelmente o 8 de janeiro de 2023 teria sido mais um domingo ensolarado de praia e veraneio.

E isso para registrar apenas o comportamento público do ex-presidente, deixando de fora os movimentos internos que foram captados pelo inquérito da Polícia Federal, que já se encontra no STF, de acusação de golpe ao estado democrático de direito.

O fato é que Bolsonaro reaparece em cena para reconectar seus seguidores de olho na salvação da sua própria pele e nas eleições de 2026 usando uma bandeira que só tem razão de ser porque num passado recente muitos aderiram à bandeira que ele empunhara outrora.

Sendo sem perceber, ao mesmo tempo, vítimas e protegidos da mesma pessoa.

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