Ato na Paulista testa poder de mobilização de Bolsonaro com anistia

Após a baixa adesão registrada no ato realizado em Copacabana, no Rio de Janeiro, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) avaliam que a manifestação marcada para amanhã, na Avenida Paulista, em São Paulo, será um verdadeiro termômetro para medir a capacidade de mobilização da direita bolsonarista. O evento tem como foco a defesa da anistia aos presos pelos ataques de 8 de Janeiro. As informações são do portal Metrópoles.

O ato também será observado como um teste para avaliar se Bolsonaro ainda consegue levar multidões às ruas, mesmo após virar réu no Supremo Tribunal Federal (STF), junto com outros sete aliados, por tentativa de golpe de Estado. A leitura entre seus apoiadores é de que uma manifestação esvaziada poderia reforçar a percepção de enfraquecimento político do ex-presidente, em meio ao avanço das investigações sobre a trama golpista.

Lideranças bolsonaristas ouvidas pelo portal Metrópoles afirmam que o eventual sucesso do evento em São Paulo daria fôlego para novas mobilizações em outras regiões do país. Por outro lado, um novo fracasso de público seria visto como arriscado, com potencial de expor ainda mais a perda de apoio popular sofrida por Bolsonaro desde que deixou o Palácio do Planalto.

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No Rio de Janeiro, a manifestação organizada em março foi marcada pela baixa adesão. Segundo levantamento do Monitor do Debate Político, do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), cerca de 18 mil pessoas estiveram em Copacabana. Já a Polícia Militar do estado chegou a divulgar uma estimativa de 400 mil pessoas, número amplamente contestado por pesquisadores. Um dos principais defensores do ato, o pastor Silas Malafaia, atribuiu o baixo comparecimento à coincidência com a final do Campeonato Carioca, que envolveu Flamengo e Fluminense.

Apesar do revés, o pesquisador da USP e integrante do Cebrap, Pablo Ortellado, pondera que não é possível, por ora, cravar uma tendência de desmobilização do bolsonarismo. Segundo ele, atos públicos têm oscilações e a falta de coordenação pode ter impactado o evento do Rio. “Acredito que Bolsonaro quer corrigir os erros da manifestação anterior e mostrar que ainda tem força para mobilizar uma grande quantidade de pessoas”, afirmou.

Após o ato na Paulista, o ex-presidente tem viagem marcada para o Rio Grande do Norte no dia 10 de abril. Acompanhado por aliados como o ex-ministro do Turismo Gilson Machado, Bolsonaro deve desembarcar em Natal e seguir até Pau dos Ferros, no interior do estado, para participar de agendas políticas em apoio à pré-candidatura de Rogério Marinho (PL) ao governo potiguar.

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