UE acelera debate sobre acordo com Mercosul após tarifaço de Trump

A União Europeia iniciou tratativas para acelerar o acordo comercial com o Mercosul após a imposição de tarifas generalizadas pelos Estados Unidos. A medida foi apontada por autoridades do bloco como fator de pressão adicional para que a Europa busque novos parceiros estratégicos em meio ao agravamento das tensões comerciais globais.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na quarta-feira (2) a aplicação de tarifas de até 25% sobre produtos europeus, incluindo automóveis, e uma sobretaxa linear de 20% sobre exportações do bloco. 

Em reação, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que “as consequências serão terríveis para milhões de pessoas em todo o mundo”, incluindo países vulneráveis que agora enfrentam tarifas mais altas.

“Isso será sentido imediatamente. Milhões de cidadãos enfrentarão contas de supermercado mais altas. Os medicamentos custarão mais caro, assim como o transporte. A inflação aumentará”, declarou.

Von der Leyen anunciou que Bruxelas finaliza um primeiro pacote de contramedidas e que outras estão em estudo. Uma das frentes citadas por autoridades europeias é a agilização dos acordos comerciais pendentes, incluindo o tratado com o Mercosul, assinado em dezembro de 2024 e ainda não ratificado.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, defendeu a aceleração de tratados já firmados. A reação também partiu de representantes nacionais. O ministro da Economia da França, Eric Lombard, afirmou que as tarifas “aceleram as discussões” sobre o acordo com o Mercosul, embora tenha reiterado que Paris ainda se opõe à ratificação nas condições atuais. 

“Devemos encontrar as vias e formas de um acordo. Nos falta, para concluí-lo, um certo número de ajustes, que envolvem em especial as questões de pegada ecológica, na área industrial, e alguns assuntos relativos à agricultura”, declarou.

Ao lado de Lombard, durante visita oficial a Paris, na última terça-feira (1), o ministro da Fazenda do Brasil, Fernando Haddad, reforçou o interesse brasileiro no tratado.

“O Brasil é entusiasta do acordo e o presidente Lula liderou pessoalmente as negociações”, afirmou. Para Haddad, a parceria vai além da economia e representa “uma resposta política importante, na direção correta de impedir que o mundo volte a uma situação bipolar que, a essa altura, não interessa a ninguém”.

O clima de urgência também alcançou setores produtivos. O consórcio de produtores de vinhos de Chianti, na Itália, defendeu publicamente o avanço do acordo com o Mercosul após a sobretaxa de 20% imposta pelos EUA aos produtos europeus.

 “É o momento de reforçar a nossa presença em novos mercados, a começar pela América do Sul”, disse o presidente da entidade, Giovanni Busi. A Confederação Italiana de Agricultores também recomendou o foco em mercados emergentes, como Mercosul, Índia e Norte da África, em uma lógica de diversificação.

Apesar das pressões, a França mantém posição cautelosa. Lombard afirmou que “as condições hoje não estão postas” para a ratificação. O tema deve ser abordado durante a visita de Estado do presidente Lula à França, prevista para o início de junho.

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