Belém em transformação urbana: megaobras e R$ 4,7 bi preparam a Amazônia para a COP30

A escolha de Belém como sede da COP30 (2025) catalisou investimentos federais e estaduais sem precedentes, com o objetivo de preparar a cidade para receber o evento global e deixar um legado estrutural, econômico e social. O Governo Federal, em parceria com o Estado do Pará e a prefeitura, destinou R$ 4,7 bilhões (via Novo PAC, BNDES e Itaipu) para obras que transformarão a infraestrutura urbana, impulsionando a economia local e reposicionando Belém no cenário internacional.

Jorge Panzera, presidente do PCdoB-PA e da Associação Brasileira de Imprensas Oficiais, destaca em entrevista ao Portal Vermelho, que essa é uma oportunidade não apenas para modernizar a infraestrutura da cidade, mas também para consolidá-la como referência turística e econômica na região amazônica.

Jorge Panzera enfatiza que o governo federal é o principal financiador das obras em Belém, com recursos via BNDES, Itaipu Binacional e Novo PAC. “São R$ 5 bilhões que estão mudando a paisagem da cidade”, afirma. Entre os projetos, destacam-se o Parque da Cidade (85% concluído), futuro epicentro da COP30, e o Museu das Amazônias, em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia. O BRT Metropolitano, ainda em construção, e os terminais hidroviários também compõem o pacote de infraestrutura, que inclui até dragagem de rios para receber navios de cruzeiro.

A sintonia entre prefeitura (Hugo Normando, MDB), governo estadual (Helder Barbalho, MDB) e União é apontada como crucial. “As obras começaram com o ex-prefeito Edmilson Rodrigues (PSOL) e seguem em ritmo acelerado”, diz Panzera. Ele cita a entrega do belo Mercado São Brás, restaurado após décadas de abandono, e a revitalização de parques lineares, como o da Doca de Souza Franco, como exemplos de colaboração multinível.

Imagem do Mercado São Braz após a reforma pela gestão de Edmilson Rodrigues (Psol):

Impacto econômico e social

A previsão com o fluxo de obras é de um impacto econômico e social, com crescimento do PIB com projeção de 3,5% para o Pará em 2024, impulsionado por obras e turismo. A geração de empregos já é de 5 mil diretos e 30 mil capacitações via Programa Capacita COP30 (idiomas, hotelaria, gastronomia). A atração de investimentos deve ter aumento de 68% na abertura de empresas, sinalizando confiança na economia local.

Com a chegada da COP 30, Belém se posiciona no cenário global como um destino estratégico para o turismo de eventos. O impacto econômico, segundo Panzera, será expressivo, com aumento da geração de empregos e aquecimento da economia local. “Quando você gera uma cadeia de turismo, seja ele de passeio ou de eventos, cria-se um ciclo virtuoso, que movimenta a economia, amplia a arrecadação e possibilita novos investimentos em serviços para a população”, analisa.

Além dos 5 mil empregos diretos gerados, Panzera projeta um “ciclo virtuoso” pós-COP30: “O turismo de eventos e a gastronomia local vão atrair investimentos permanentes”. Ele menciona a construção de hotéis de luxo, como o Tivoli e Vila Galé, e parcerias com Airbnb para ofertar 20 mil leitos. “Belém será um passaporte para a Amazônia. Quem vier vai querer voltar”, afirma, destacando a qualificação profissional de jovens em transporte e hospitalidade para receber estrangeiros.

Enquanto Lula reforça que “é hora de provar que floresta em pé vale mais”, Belém corre contra o relógio. Das 30 obras prioritárias, 8 já foram entregues e a maioria está com 70% concluída. Panzera acredita que estarão entregues até o Círio de Nazaré, um dos maiores eventos religiosos católicos do mundo, que ocorre no início de outubro. Restam pouco mais de 200 dias (sete meses) para a cidade provar que, nas palavras do ministro Rui Costa, “a capital dos manguezais está pronta para ditar o novo pacto climático do planeta”.

Investimentos que vão além das áreas nobres

A COP30 representa uma oportunidade única para Belém alinhar desenvolvimento urbano, preservação ambiental e inclusão social. Os investimentos federais, articulados com políticas estaduais, não apenas preparam a cidade para um evento global, mas redefinem seu futuro como modelo de metrópole amazônica sustentável. O sucesso dependerá da continuidade das políticas e do engajamento da população, transformando o legado infraestrutural em avanços concretos para os 28 milhões de habitantes da Amazônia.

Um dos grandes diferenciais deste ciclo de investimentos é a atenção às regiões periféricas da cidade. Para Panzera, diferentemente de outros grandes eventos, em que os recursos são canalizados exclusivamente para áreas centrais e nobres, a preparação para a COP 30 também contempla projetos essenciais para a população mais vulnerável. “Obras de canalização, drenagem, saneamento e asfaltamento de ruas estarão entre os maiores legados deixados para os bairros periféricos”, afirma.

Com a histórica falta de infraestrutura básica, especialmente em relação ao saneamento, a cidade convive com enchentes frequentes devido à deficiência na macrodrenagem de canais. Segundo Panzera, os investimentos nesta área deverão trazer “uma melhoria significativa na qualidade de vida do povo que vive na periferia de Belém”.

Ele cita intervenções em 13 canais, como o Tucunduba e Tamandaré, que beneficiam 500 mil pessoas. “Isso melhora a qualidade de vida de quem sempre foi invisibilizado”, afirma. A reforma do Ver-o-Peso, com instalação de rede de esgoto após 400 anos, é símbolo desse avanço, que se espraiará para o entorno do mercado: “Não é só estética, é saúde pública”. 

Legado para além do evento

Embora as obras ocorram para a realização de um evento de proporções inéditas para Belém, a maioria do que será feito ficará como legado pós-COP30. Obras em áreas periféricas (como o Canal da Timbó) reduzem desigualdades urbanas, enquanto capacitações elevam a qualificação da mão de obra. Parques, terminais, BRT e saneamento melhorarão qualidade de vida e atratividade da cidade, já que são infraestrutura permanente. O posicionamento de Belém como destino internacional, com ênfase em sustentabilidade e cultura amazônica deve contribuir para o turismo global. (Na foto, a obra que vai preservar e valorizar a arquitetura da Belle Epoque no Mercado Ver-o-Peso, principal cartão postal da cidade do ciclo da borracha).

É perceptível a articulação cuidadosa para que as obras tenham sustentabilidade, garantindo manutenção pós-evento para evitar “elefantes brancos”. Da mesma forma, um conceito que norteia as obras é a equidade no desenvolvimento, para assegurar que benefícios alcancem periferias e não apenas áreas turísticas. O crescimento acelerado exige planejamento para evitar sobrecarga em transporte, saúde e segurança, o que tem sido planejado para minimizar a pressão sobre Serviços Urbanos.

Apesar dos avanços, Panzera reconhece que ainda há desafios a serem enfrentados. “Sempre falta algo, porque as necessidades humanas sempre se renovam. Mas sairemos desse processo com um legado importante e um caminho aberto para um futuro de mais desenvolvimento”, reflete.

“Esta é a chance de mostrar que desenvolvimento e Amazônia podem coexistir”, conclui Panzera. “Belém não será a mesma após a COP30: terá autoestima elevada, infraestrutura moderna e, acima de tudo, um povo preparado para liderar o debate ambiental global”.

Com investimentos expressivos, melhoria na infraestrutura e projeção internacional, Belém caminha para um novo momento histórico. A COP 30 não apenas trará mudanças temporárias, mas deverá redefinir a cidade e sua relação com o mundo, fortalecendo sua identidade amazônica e sua capacidade de realização de grandes eventos no futuro.

Conheça algumas das obras de maior impacto urbano em andamento acelerado:

Parque da Cidade: o palco global da Amazônia

No antigo aeroporto Brigadeiro Protásio, surge o Parque da Cidade, epicentro da COP30. Com 500 mil m², o espaço terá centro de convenções integrado ao Hangar, museus, boulevards gastronômicos e áreas de lazer. “Será o Ibirapuera da Amazônia”, afirma Adler Silveira, secretário de Infraestrutura do Pará. A obra, 75% concluída, será entregue em setembro de 2025 e transformada em parque público pós-evento.

Já a Vila dos Líderes, no local, abrigará 200 apartamentos para chefes de Estado, evitando deslocamentos e reforçando a segurança.

Porto Futuro II: revitalizando a era da borracha

Às margens da Baía do Guajará, o Porto Futuro II resgata a história dos armazéns ingleses do ciclo da borracha. O projeto inclui:

  • Museu das Amazônias: Biodiversidade em exposição interativa;
  • Polo de Bioeconomia: Espaço para startups sustentáveis;
  • Nova Doca: Parque urbano com mirantes e ciclovias.

Infraestrutura: do saneamento ao BRT

Saneamento: Investimentos em 13 canais (como Tucunduba e Tamandaré) para reduzir alagamentos, beneficiando 500 mil residentes. Obras incluem retificação de canais, redes de esgoto, ciclovias e parques lineares, promovendo saúde pública e valorização imobiliária. “É saúde para 500 mil pessoas”, afirma Hana Ghassan, vice-governadora. O Mercado Ver-o-Peso terá sua primeira intervenção sanitária em 400 anos no maior mercado a céu aberto da América Latina, com 4 km de rede de esgoto. A obra combate poluição e melhora condições de trabalho para 60 mil pessoas, preservando um símbolo cultural.

Entre os principais projetos em andamento, destacam-se:

  • Ampliação do Sistema de Abastecimento de Água da Bacia do Una com a ampliação da produção de água e implantação de Estação de Tratamento de Água no 10⁰ setor (Paraíso dos Pássaros), beneficiando bairros como Sacramenta, Telégrafo e Barreiro;
  • Implantação do Sistema de Esgotamento Sanitário da Bacia da Estrada Nova, atendendo bairros como Condor, Cremação e Jurunas;
  • Revitalização do complexo do Mercado Ver-o-Peso, incluindo sistema inédito de coleta e tratamento de esgoto;
  • Canal da Timbó: drenagem, esgoto, pavimentação, passarelas e ciclovias;
  • Obras de saneamento nos canais da Bacia do Tucunduba, beneficiando mais de 300 mil pessoas;
  • Construção de novos sistemas de drenagem e esgoto no Canal da Gentil;
  • Macrodrenagem e urbanização de ruas na Avenida Tamandaré;
  • Projetos nos canais do Benguí e da Marambaia, localizados na Bacia do Una;
  • Reestruturação viária da Rua das Rosas, com drenagem, esgoto e pavimentação;
  • Parque Linear da Nova Doca, com 1,2 km de canal, ciclofaixas, obras de esgotamento sanitário e drenagem profunda;
  • Parque Linear da Nova Tamandaré, com infraestrutura de lazer, obras de esgotamento sanitário e drenagem urbana.
  • Obras de saneamento completas nos canais da Vileta, União, Leal Martins, Caraparu e Cipriano Santos com serviços de dragagem, retificação dos canais, aterramento de quintais, urbanização viária e novas redes de abastecimento de água, esgoto sanitário e drenagem. O Canal Caraparu também terá uma Estação Elevatória de Esgoto.

Mobilidade: Reestruturação de 20 km da BR-316, com viadutos, ciclovias, estações modernas e 256 ônibus sustentáveis (incluindo elétricos). O sistema conectará cinco municípios da região metropolitana, reduzindo congestionamentos e melhorando a mobilidade para 500 mil pessoas. “Queremos reduzir o caos do trânsito em 40%”, diz Silveira.

Hospedagem: Construção de hotéis de luxo (Tivoli, Vila Galé) e parcerias com plataformas como Airbnb para ofertar 20 mil leitos. Navios-hotel atracados no Terminal Internacional e adaptação de 17 escolas em hostels garantem capacidade temporária, com infraestrutura permanente para o turismo futuro. Parcerias com Booking e Airbnb garantem 20 mil leitos, enquanto 17 escolas reformadas abrigarão 5,2 mil participantes em alojamentos temporários.

Impacto econômico: empregos e projeção global

Os R$ 4,7 bilhões investidos (70% do governo federal) já geraram:

  • 5 mil empregos diretos em construção civil;
  • Crescimento de 68% na abertura de empresas locais;
  • Projeção de 3,5% no PIB do Pará em 2025, o 3º maior do Brasil.
    “Belém será o novo hub de negócios verdes da América Latina”, prevê Rui Costa, ministro da Casa Civil.

Capacitação: 30 mil vagas para “anfitriões da floresta”

O programa Capacita COP30 treina profissionais em idiomas, hotelaria e gastronomia. “Já formamos 14 mil pessoas. Queremos servir tacacá com excelência”, brinca Andrey Rabelo, coordenador do projeto. Cursos de inglês e espanhol lideram a demanda, com filas de espera em 12 municípios.

O legado: para além dos 12 dias de evento

Após a COP30, Belém herdará:

  • 4 novos hotéis de luxo, incluindo um Tivoli no prédio da antiga Receita Federal;
  • Sistema de macrodrenagem para acabar com alagamentos em 22 bairros;
  • Terminais hidroviários que impulsionarão o turismo na Ilha do Combu.

Desafios: navios-hotel e pressão global

Com apenas 3,5 mil leitos em hotéis tradicionais, a solução foi ancorar navios de cruzeiro no Porto de Outeiro. “Serão 5 embarcações, incluindo um MSC de 330 metros”, revela Josenir Nascimento, presidente da CDP.

A dragagem da baía permitirá atracagem de navios de cruzeiro, ampliando a capacidade hoteleira.

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