Países já se preparam para enfrentar “tarifaço” de Trump nos Estados Unidos

Donald Trump planeja iniciar sua política de tarifas recíprocas nesta quarta

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Julia Demaree Nikhinson/Associated Press/Estadão Conteúdo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, planeja iniciar sua política de tarifas recíprocas nesta quarta-feira (02) com “todos os países”, como ele mesmo disse. Diante disso, o mundo, em clima de apreensão, já se prepara para o tarifaço dos EUA.Trump disse que será o “Dia da Libertação” — um momento em que ele planeja lançar um conjunto de tarifas que, segundo ele, libertará os EUA dos produtos estrangeiros. Países da União Europeia, além de China, Coreia do Sul, Brasil e Índia devem estar entre os taxados.E segundo especialistas, esse cenário pode ser desafiador para as exportações de produtos capixabas, com perda de competitividade no mercado interno estadunidense. No entanto, buscar outros mercados pode ser uma estratégia para reduzir impactos.O anúncio de tarifas recíprocas pelos EUA pode ter impacto significativo sobre as exportações brasileiras, incluindo as do Espírito Santo, especialmente nos setores de café, celulose e, também, na produção de ovos, de acordo com o economista e diretor da Faculdade Capixaba de Negócios (Facan), Marcelo Loyola.“O Estado é um dos maiores produtores de café do Brasil, e o café é um dos produtos com forte presença nas exportações brasileiras para os EUA. Se as tarifas recíprocas forem aplicadas, isso poderia encarecer o preço do café brasileiro no mercado norte-americano, o que, teoricamente, poderia reduzir a competitividade do produto brasileiro”, explicou.A diversificação para novos mercados internacionais também será uma estratégia importante para mitigar o impacto negativo das tarifas recíprocas sobre as exportações do Estado, destacou Marcelo Loyola.O vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Claudeci Pereira Neto, destacou que os produtos brasileiros, incluindo os capixabas, vão chegar mais caros no mercado interno dos EUA.“A indústria vai ter que procurar novos mercados para os seus produtos. Isso vai fazer com que a gente também saia da nossa zona de conforto”, afirmou Claudeci Pereira Neto.A indústria e os produtores vão ter que arcar com esse prejuízo e tentar reduzir seus custos diante do tarifaço, segundo o economista Sebastião Demuner.“Vai diminuir a lucratividade e, se não conseguir reduzir os custos, os países não vão ter como compensar isso. Outra alternativa é vender para outros mercados e tentar descobrir outros mercados”, disse.Governo brasileiro avalia preparar lista de retaliaçãoUma comitiva formada por diplomatas brasileiros viajou aos Estados Unidos para tentar convencer o governo americano a encontrar alternativas às tarifas impostas pelo presidente Donald Trump.O grupo foi coordenado pelo secretário de Assuntos Econômicos do Ministério das Relações Exteriores, Maurício Lyrio — atual negociador-chefe do Brasil no Brics e que, em 2024, também foi o negociador-chefe do Brasil no G20.A ida de Lyrio e da comitiva aos Estados Unidos é mais um movimento adotado pelo governo do presidente Lula para negociar alternativas com a Casa Branca.Diplomatas têm defendido que o País insista nas negociações antes de adotar a chamada reciprocidade — impor as mesmas tarifas sobre produtos americanos — ou recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).Mas além de buscar as negociações, o governo já prepara lista de retaliação, segundo a colunista Mirian Leitão, do jornal O Globo.A retaliação na área de serviços e propriedade intelectual é uma possibilidade que pode ser adotada, segundo fontes da diplomacia brasileira que permanecem, mesmo próximo da data marcada para começar a tarifa, negociando, acreditando na capacidade de persuasão.FIQUE POR DENTROO plano de Trump> Presidente dos EUA, Donald Trump prometeu revelar um enorme plano tarifário amanhã, que ele apelidou de “Dia da Libertação”. Ele já impôs tarifas sobre alumínio, aço e automóveis, além de taxas maiores sobre todos os produtos da China.> Trump quer anunciar impostos de importação, incluindo tarifas “recíprocas” que corresponderiam às taxas cobradas por outros países e levariam em conta outros subsídios. Trump falou em taxar a União Europeia, a Coreia do Sul, o Brasil e a Índia, entre outros países.> Ao anunciar 25% de tarifas sobre automóveis na semana passada, ele alegou que os Estados Unidos foram enganados porque importam mais mercadorias do que exportam.> Trump também sugeriu que será flexível com suas tarifas, dizendo que tratará outras nações melhor do que elas trataram os EUA. Mas ele ainda tem muitos outros impostos sobre as importações.Brasil> Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Em 2024, foi o destino de 12% das exportações brasileiras, totalizando US$ 40,4 bilhões, e origem de 15,5% das importações nacionais (US$ 40,7 bilhões).> Sendo assim, o saldo comercial com o país norte-americano foi praticamente nulo, enquanto a corrente de comércio alcançou 3,6% do PIB brasileiro no ano passado.> Entre os principais produtos exportados, estão óleos brutos e combustíveis de petróleo, produtos de ferro e aço, aeronaves, café e celulose.> O Brasil pretende esperar e esgotar as vias das negociações técnicas antes de retaliar. Para o Brasil, por enquanto, estão em vigor as tarifas de 25% sobre as exportações para os EUA de aço e alumínio.Estado> O impacto geral sobre o Espírito Santo dependerá das categorias de produtos afetadas pelas tarifas. > Para o café e a celulose, o aumento de tarifas poderia reduzir a competitividade dos produtos capixabas no mercado dos Estados Unidos, a menos que haja uma reação do mercado (como a busca por produtos mais baratos de outros países).> No entanto, a perspectiva positiva existe, especialmente se o Brasil souber adaptar suas exportações para mercados alternativos ou aproveitar a oportunidade de aumentar a competitividade dos produtos menos afetados, como o café.Ovos> Além disso, o aumento das importações de ovos dos EUA pode ser uma oportunidade para o Espírito Santo aumentar a oferta no mercado interno, especialmente se as tarifas dificultarem o fluxo de ovos importados.> No geral, o Espírito Santo pode ser afetado, mas também pode encontrar novas oportunidades caso o Brasil adote medidas estratégicas de contrarresposta.Fonte: Agência Estado, InfoMoney, Marcelo Loyola, Claudeci Pereira Neto e Sebastião Demuner.

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