Golpe Militar, 31.03: Relembrar para não permitir outros Golpes

No 31 de Março de 1964 os Estados Unidos da América (EUA), através da CIA, depuseram o Presidente Jango para impor uma ditadura e impedir avanços sociais no país. A partir daí impuseram o terror.

A CIA usou a escória de sempre: uma parcela da burguesia que de tão reacionária ainda sonha com a volta do escravismo, militares domesticados por eles em Centros como Fort Leavenworth (Kansas), parcelas da pequena burguesia igualmente domesticadas com bolsas nas Escolas “Amigos da América” e uma parcela de religiosos fundamentalistas.

A tática é a de sempre: acusar o “inimigo” de tudo que possa lhe desqualificar ou criar dificuldades em ambientes conservadores. Assim, o anticomunismo, é apenas o carro chefe, seguido de corruptos, anticristos e outras barbaridades. Está no manual da CIA: acuse, acuse e acuse e negue toda e qualquer acusação contra você.

Certamente voce já percebeu que a “pauta” do golpe de 64 (basta de corrupção, “defesa” da família e anticomunismo, etc.) são as mesmas do golpe de 2016, que depôs a Presidenta Dilma, ou da atual quartelada articulada por Bolsonaro e seus milicos de estimação. Primeiro o medo, depois terror.

Nossa reflexão precisa ter sempre isso presente, mas não desconhecer que, infelizmente, há gente de boa fé que se deixa manipular, daí a necessidade de estarmos sempre esclarecendo o que efetivamente querem os agentes do império americano.

Terror físico e psicológico como método de repressão

Se a quartelada de Bolsonaro tivesse prosperado voce não estaria lendo esse texto. Eu conheci na pele os horrores da ditatura militar.

Em 1972 eu estudava em Belém. Vi de perto como eles assassinaram militantes do PCdoB e trabalhadores rurais que resistiam nas selvas do Araguaia contra os agentes do império americano.

No início de 1975, eu era estatutário da extinta Fundação SESP, lotado em Boca do Acre. Solicitei transferência a Belém, para estudar. Diante da negativa arrogante, protestei com a energia que nunca me abandonou. Dias depois recebi um telegrama informando que eu estava excluído do SESP e deveria me apresentar em Manaus para responder um processo por SUBVERSÃO, o que no jargão da época significava terrorista.

Conscientemente me afastei da família, dos amigos e dos ex-colegas de trabalho para que, igualmente, não fossem vítimas de retaliação da ditadura. Os ditadores não se contentam em lhe perseguir, eles estendem a rede por toda a cadeia que lhe cerca.

Anos depois, já nos estertores da ditadura, eu estava no INPA e tinha estabilidade legal por representar os trabalhadores na CIPA. Na frente política atuava no Tribuna da Luta Operária, um jornal de resistência a ditadura militar. O general Figueiredo, o último ditador do golpe de 64, veio a Manaus. Fizemos um panfleto com os singelos dizeres de Fora Figueiredo! No dia seguinte ao chegar no INPA o diretor me chamou e disse solenemente: “Eron, eu tenho uma ordem do SNI que vai pra fora do INPA eu ou você, e eu prefiro que seja você”. Tudo voltava a 1975.

Isso é uma ditadura. As mortes e torturas são, digamos, a parte mais visível e sanguinária. A destruição psicológico e moral sistemática não é possível mensurar.

Talvez por isso, o filme “Ainda Estou Aqui” tenha feito tanto sucesso e merecido, com justiça, o prêmio de melhor filme estrangeiro. Ele mostra como uma ditadura destrói as famílias e as pessoas, antes e depois de eventualmente eliminá-las fisicamente.

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