Dionísio Cerqueira relembra 100 anos do combate da Coluna Prestes

No dia 24 de março de 2025, Dionísio Cerqueira (SC) marcou o centenário dos combates históricos da Coluna Prestes nas regiões de Maria Preta e Linha Separação, palco de um dos episódios mais sangrentos da marcha revolucionária. A cerimônia contou com culto ecumênico e exposição organizada pela  Associação Recreativa Cultural Nacional, entidade responsável pela preservação do local desde 2006.

Em 1925, a batalha começou com uma ofensiva da tropa legalista composta por 1.500 homens da Brigada do Rio Grande do Sul, sob o comando de Claudino Nunes. Após enfrentamento em linha Maria Preta, os soldados subiram a Serra da Maria Preta no encalce das forças revolucionárias de Prestes e se posicionaram à direita do riacho, exatamente onde hoje está o memorial.

Do outro lado, na margem esquerda do riacho — logo acima da estrada — estava acampada uma força militar ferroviária vinda de São Paulo, com 1.000 homens sob o comando do General Paim Filho. Ambas as tropas, embora aliadas e leais ao governo federal, estavam separadas pelo curso d’água e não tinham conhecimento da presença uma da outra.

Ao amanhecer, um trabalhador paraguaio conhecido como Mensur, contratado pelo Exército e subordinado a Paim Filho, desceu até o riacho para buscar água para o café. Por usar um lenço vermelho — mesma marca utilizada pelos revolucionários da Coluna Prestes — foi confundido com o inimigo. O engano desencadeou um violento combate entre as duas forças legalistas.

Estudos indicam que mais de 200 mil tiros foram disparados durante o confronto, que durou até o entardecer. Quando perceberam que lutavam entre si, mais de 200 soldados já estavam mortos. Fragmentos do combate, como balas e objetos pessoais, ainda são encontrados por grupos de detectorismo e escoteiros da região.

Ezidro Pires Nardes, que dá nome ao memorial, foi um dos soldados da Coluna Prestes naquele combate. Com apenas 13 anos na época, perdeu-se na mata e acabou vivendo o resto da vida em Dionísio Cerqueira. Faleceu recentemente, pouco antes de completar 115 anos, e era o último combatente vivo da revolução.

Desde 2006, a Associação Nacional mantém e preserva o espaço, que passou por reformas e segue em processo de modernização. O próximo passo é a construção de um monumento permanente. A cerimônia neste ano reuniu famílias de combatentes, diversas entidades e lideranças religiosas em respeito à memória dos mortos — que até então jamais haviam recebido qualquer homenagem religiosa.

Confira foto e vídeo do evento:

Foto: reprodução

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