Registro da UFG retrata larva do Aedes aegypti e vence concurso nacional de microscopia

Uma imagem capturada no Laboratório Multiusuário de Microscopia de Alta Resolução da Universidade Federal de Goiás venceu o II Concurso de Imagem de Microscopia da Sociedade Brasileira de Microscopia e Microanálise (SBMM), na categoria “Biológicas”. De autoria do professor Pedro Vale e da professora Clenilma Marques, a figura, obtida com o apoio da técnica do LabMic/UFG Nathany Ribeiro, foi colorida digitalmente e retrata o detalhe de uma larva do Aedes aegypti (mosquito da dengue). Trata-se, especificamente, do sifão respiratório da larva do inseto, que corresponde a uma espécie de traqueia.

A análise que resultou no registro está diretamente ligada ao estudo desenvolvido pela professora Clenilma, que é química, intitulado “Nanossistemas de Prata e Óleo Essencial da espécie Dizygostemon riparius (Plantaginaceae): biossíntese, caracterização, avaliação larvicida e ecotoxicidade”. A pesquisa dela se propõe a verificar a viabilidade do uso de nanopartículas de prata e óleo essencial de uma planta conhecida como Melosa para eliminar as larvas do mosquito, de modo que haja contaminação reduzida do meio ambiente.

O resultado, anunciado na última segunda-feira, 24, foi definido após votação popular e prestigia o registro obtido por meio de um equipamento chamado microscópio eletrônico de varredura (MEV), que integra a infraestrutura do laboratório localizado no Instituto de Física (IF/UFG).

Nesse sentido, a contribuição de Pedro, que é biólogo, teve papel fundamental. Enquanto a professora do IFMA trabalhou com a síntese das nanopartículas de prata e a extração do óleo essencial para desenvolver o produto ao qual as larvas seriam expostas, o docente da UFG ficou encarregado de preparar as amostras analisadas no LabMic/UFG. Adicionalmente, por seu domínio em morfologia interna de insetos, ele fez a caracterização da larva a partir das estruturas reveladas, sendo uma delas a do sifão respiratório, o que é raro e motivou o envio da imagem para o concurso.

Não é a primeira vez que a parceria entre o professor Pedro Vale e o LabMic/UFG resulta em uma imagem impactante. Outro registro capturado anteriormente, por exemplo, mostra uma possível infecção por vírus no sistema nervoso da larva Aedes aegypti. Nesse caso, foi empregado o uso do microscópio eletrônico de transmissão (MET), também de alta resolução, tendo em vista que a microscopia de luz não possui resolução capaz de fornecer informações de estruturas minúsculas, “invisíveis” ao olho humano. Para se ter uma ideia, o sifão respiratório da larva tem aproximadamente 250 micrômetros (μm), ou seja, 0,25 milímetros (mm).

Sobre a imagem premiada, Pedro narra, inclusive, que o feito se deu por acaso. “Estávamos buscando possíveis alterações morfológicas causadas nas larvas sujeitadas ao tratamento com o produto desenvolvido pela Clenilma. Não sabíamos exatamente o que poderíamos encontrar. O sifão mesmo não apresentou nenhuma alteração estrutural notável, mas rendeu uma bela imagem”, afirma. Uma curiosidade é que a inscrição no concurso se deu nos últimos minutos do prazo e, até o momento de confirmação do aceite, os autores do registro nem sequer tinham certeza se concorreriam de fato.

Amostras com larvas do Aedes aegypti | Foto: UFG

Disputa

O concurso contou, ao todo, com três etapas. Na primeira, foram selecionadas 12 imagens de cada categoria – a saber, Materiais e Biológicas – para compor uma galeria de registros virtuais. A curadoria será apresentada durante o 30º Congresso Nacional da SBMM (CSBMM), a ser realizado em novembro deste ano, em Maceió (AL).

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