Melhoria da alimentação em época de crises é tema de cúpula em Paris

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A cúpula Nutrition for Growth (Nutrição para o Crescimento) começa nesta quinta-feira (27), em Paris, com a proposta de buscar uma alimentação melhor em um contexto global de crises e de mudanças climáticas. Representantes governamentais de pelo menos 76 países devem participar do evento.

O encontro, realizado a cada quatro anos desde 2013, reúne ainda representantes de organismos internacionais, da sociedade civil, academia e empresas. Um dos principais objetivos é firmar compromissos financeiros e políticos que garantam uma alimentação adequada para milhões de pessoas.

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No último evento, em Tóquio, em 2021, foram firmados 396 compromissos por 181 entidades, em um total de 27 bilhões de dólares. Estima-se, no entanto, que sejam necessários investimentos de cerca de 13 bilhões de dólares por ano, para se atingir uma alimentação adequada para todos.

Para esta edição do evento, estão previstos compromissos financeiros de bancos públicos de desenvolvimento, entidades filantrópicas e empresas, como a francesa Edenred, que oferece entre seus serviços, o tíquete-restaurante implantado no Brasil há seis décadas. 

Seu compromisso envolve uma meta de garantir 100 mil refeições até o fim do ano, para o Programa Mundial de Alimentação (WFP), por meio de contribuições voluntárias de seus clientes. A empresa usará sua rede de comunicação com os usuários dos cartões alimentação para sensilibilizá-los a doar pelo menos 80 centavos de dólar, no momento do pagamento de suas próprias refeições. 

Temas

Entre os temas deste ano estão o enfrentamento à insegurança alimentar e a oferta de uma nutrição mais adequada, em momentos de crise, como conflitos armados que geram impactos na produção de alimentos e na migração forçada de pessoas.

“A situação internacional é muito diferente daquela que tínhamos em 2021, agora com uma guerra massiva aqui na Europa [conflito entre Rússia e Ucrânia], que provocou uma crise alimentar mundial e que teve também consequências financeiras com a crise inflacionária das commodities”, afirma o secretário-geral da cúpula, Brieuc Pont.

Muitos países que têm a capacidade de financiamento do desenvolvimento, estão agora privilegiando despesas de defesa para se proteger, diz o secretário-geral. “Então existe esse desafio que é procurar financiamento para a nutrição.”

As mudanças climáticas são outro tema do evento. Para Brieuc Pont, é importante investir em alternativas para os modelos atuais de produção de alimentos que geram grande impacto na emissão de gases do efeito estufa, no consumo da água e no esgotamento do solo.

“Nossa ideia é realmente tentar incentivar a preservação de sistemas de produção locais para enriquecer os ecossistemas comerciais de produção locais, para as que as pessoas não dependam de alimentos ultraprocessados, de produção massiva, de uma produção industrial de alimentos”, acrescentou.

O primeiro-ministro francês, François Bayrou, participará da abertura da cúpula, na manhã desta quinta, juntamente com a primeira-dama brasileira, Janja Lula da Silva. 

Também participará da sessão de abertura o rei de Lesoto, Letsie III. Recentemente, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que Lesoto era um “país do qual ninguém ouviu falar”, ao anunciar, perante o congresso americano, que cortaria a ajuda financeira milionária à nação africana.

*O repórter viajou a convite da Embaixada da França no Brasil

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