O que seria do Brasil sem o PCdoB?

O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) completa hoje, dia 25 de março, 103 anos de idade. Contar a história do PCdoB é, de certo modo, contar a história do Brasil republicano. Fundado em 1922 a partir do encontro entre operários, anarquistas, socialistas e intelectuais, o nosso partido sempre esteve ao lado da classe trabalhadora brasileira contra os interesses das oligarquias, do grande capital e do imperialismo.

Nos anos 30, sob a liderança de Luís Carlos Prestes, reunimos uma grande frente ampla antifascista em torno da Aliança Nacional Libertadora, a ALN. Por essa luta, o governo autoritário de Getúlio Vargas nos levou para a prisão, como bem descreveu Graciliano Ramos em seu clássico Memórias do Cárcere.

Com o estabelecimento da democracia liberal na década de 1940, nossa opção foi por participar ativamente da disputa eleitoral. Elegemos 14 deputados federais e um senador em 1945, mas nosso protagonismo fez com que a farsa daquela democracia liberal nos impusesse a clandestinidade em 1947.

Nos anos 70, nosso partido resistiu corajosamente contra a ditadura militar. Sob a liderança de Maurício Grabois fomos para o campo onde organizamos a resistência armada com a Guerrilha do Araguaia. Infelizmente, perdemos Grabois e tantos outros massacrados pela covarde ditadura.

Na década de 1980, nosso partido pôde sair da clandestinidade imposta em 1947. Liderados por João Amazonas, rapidamente reunimos forças para participar ativamente e com sucesso da Assembleia Constituinte de 1987-88.

Nos anos 90, fomos para as ruas combater o projeto neoliberal que foi iniciado por Fernando Collor de Mello e que teve continuidade nos dois governos de Fernando Henrique Cardoso.

E, em 2002, demos nossa parcela de contribuição para a eleição do presidente Lula. Então dirigente maior dos comunistas, Renato Rabelo soube nos guiar para aquela vitória eleitoral fundamental para o Brasil.

Em toda essa trajetória, sempre conseguimos deixar nossa marca. Foi graças a um deputado comunista, o escritor Jorge Amado, que a Constituição de 1946 incluiu como direito a liberdade religiosa. Foi pela ação de outro deputado comunista, Edmilson Valentim (PCdoB-RJ), que a Constituição de 1988 assegurou para a juventude o direito de votar aos 16 anos. Pela habilidade política do então deputado federal Inácio Arruda (PCdoB-CE) o Brasil passou a ter um Estatuto das Cidades. Com sensibilidade e combatividade, aprovamos duas leis de Jandira Feghali (PCdoB-RJ) que são fundamentais para nosso povo: a Lei Maria da Penha, que protege mulheres da violência do patriarcado e a Lei Aldir Blanc, que garante recursos para a cultura em municípios e estados. Parafraseando Ferreira Gullar, quem contar a história de nosso povo e seus heróis tem que falar de nosso partido. Ou estará mentindo.

Nosso PCdoB, que hoje comemora 103 anos, acredita no socialismo como via para uma futura sociedade sem classes, sem Estado e sem propriedade privada. Nosso PCdoB articula a luta por redistribuição com a luta por reconhecimento, a luta de classes com a luta contra o sexismo, o machismo, o racismo e todas as demais formas de opressão.

João Cabral de Melo Neto certa vez disse que “um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos. De um que apanhe esse grito que ele / e o lance a outro; de um outro galo / que apanhe o grito que um galo antes / e o lance a outro; e de outros galos /que com muitos outros galos se cruzem /os fios de sol de seus gritos de galo, / para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos”.

Para o PCdoB, a única forma de tecermos a manhã socialista é pela construção coletiva da classe trabalhadora e da sociedade civil. A tarefa não é fácil, mas é uma necessidade histórica. Junte-se a nós nessa luta!

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