Superávit primário recorde em janeiro desafia pressão do mercado financeiro

As contas do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registraram um superávit primário de R$ 84,882 bilhões em janeiro, o maior valor nominal para o mês desde 1997. Em termos reais, o resultado representa um aumento de 2,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O desempenho fiscal surpreendeu o mercado financeiro, que projetava um saldo positivo de R$ 83,4 bilhões.

O superávit primário mede a diferença entre receitas e despesas antes do pagamento de juros da dívida pública. Com a meta fiscal estabelecida para um déficit primário zero em 2024, o resultado indica uma posição fiscal mais sólida do que o esperado, o que, segundo o economista Diogo Santos, da UFMG, desafia argumentos do mercado sobre a necessidade de medidas de austeridade.

Impacto da política fiscal no mercado produtivo e no consumo

Segundo o Tesouro Nacional, a arrecadação recorde de janeiro deve-se, em parte, à recomposição de tributos sobre combustíveis, ao crescimento econômico e à valorização do dólar. Impostos como IRPJ e CSLL tiveram alta significativa, assim como a arrecadação do Imposto de Importação.

Por outro lado, as despesas cresceram em ritmo superior às receitas quando descontada a inflação. O aumento de gastos com a Previdência Social, impulsionado pela política de valorização do salário mínimo, e os investimentos em programas sociais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), contribuíram para esse cenário. O investimento público também registrou crescimento expressivo de 73% acima da inflação.

Esses fatores sugerem que a estratégia fiscal adotada tem fortalecido o mercado consumidor e o setor produtivo, evitando cortes drásticos que poderiam comprometer a retomada do crescimento econômico.

Expectativas para o PIB e as contradições do mercado

O economista Diogo Santos (UFMG)

Apesar do superávit expressivo, o mercado financeiro continua pressionando o governo por ajustes fiscais mais rígidos. Em conversa com o Portal Vermelho, Diogo critica essa postura, argumentando que “o mercado financeiro fica sempre descolado das condições reais, exercendo uma pressão constante para que o governo se enquadre 100% às suas exigências, sem considerar o processo de retomada do crescimento econômico e a reconstrução dos pilares da economia brasileira, que leva tempo”.

Diogo destaca ainda que, enquanto o crescimento econômico se mantiver, os resultados fiscais continuarão positivos. “Quando cai o crescimento econômico, aí sim teremos problemas fiscais, com queda na arrecadação e dificuldades para manter superávits primários”, alerta.

O desafio do governo em 2025 será equilibrar a disciplina fiscal com a necessidade de estímulo ao crescimento. A robustez da arrecadação e os investimentos em setores estratégicos indicam um caminho sustentável para a economia brasileira, mesmo diante das pressões do mercado financeiro por maior austeridade.

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