China amplia soberania energética com megadepósito de tório

A China pode ter dado um passo significativo para reduzir sua dependência de combustíveis fósseis e consolidar sua soberania energética. Um estudo geológico realizado no país, conduzido pelo Laboratório Nacional de Exploração e Mineração de Recursos de Urânio e Sensoriamento Remoto Nuclear de Pequim, revelou que a potência asiática possui reservas de tório muito superiores às projeções anteriores.

A China já era reconhecida como o país com as maiores reservas de tório do mundo, mas um relatório técnico publicado recentemente na revista Geological Review indica que os volumes disponíveis podem ser de magnitude maiores do que o esperado. O estudo identificou 233 zonas ricas no metal em cinco grandes regiões do país, especialmente em depósitos associados a minérios de terras raras, grupo de minérios essenciais para eletrônicos e tecnologia de ponta.

O megadepósito de Bayan Obo, na Mongólia Interior, é um dos mais importantes do estudo e pode conter 1 milhão de toneladas de tório, suficiente para suprir a demanda energética do país por 60.000 anos.

Tório e a nova era da energia nuclear

O tório é considerado uma alternativa estratégica ao urânio, elemento tradicionalmente usado na geração de energia nuclear. Embora o urânio seja eficiente, ele apresenta desafios como a necessidade de enriquecimento, o risco de fusão dos reatores e a produção de resíduos altamente radioativos.

Já os reatores de sal fundido movidos a tório (TMSRs) oferecem vantagens importantes:

  • Não há risco de fusão nuclear, pois operam em temperaturas mais seguras.
  • Não precisam de água para resfriamento, podendo ser usados em locais áridos.
  • Geram menos resíduos radioativos de longa duração.

A China já avança na implementação dessa tecnologia. Em 2023, Pequim aprovou a construção do primeiro reator experimental de tório no Deserto de Gobi, que deve entrar em operação até 2029.

Cientistas chineses estudam aplicações do tório para missões espaciais de longa duração. A China avalia o desenvolvimento de reatores nucleares compactos movidos a tório para alimentar futuras instalações na Lua, um passo estratégico para expandir sua presença no espaço.

O impacto da descoberta na disputa entre China e EUA

A revelação de que as reservas de tório são muito maiores do que o esperado ocorre em um momento de escalada da guerra comercial entre China e EUA. O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou novas tarifas de 10% sobre importações chinesas, justificando a medida com a falta de ação de Pequim contra o tráfico de fentanil.

O governo chinês ainda não divulgou contramedidas específicas, mas especialistas apontam que a estratégia de Pequim tem sido fortalecer sua autossuficiência tecnológica e energética, reduzindo sua vulnerabilidade a embargos comerciais.

A descoberta do tório e os investimentos em energia nuclear avançada podem consolidar a China como referência na nova era da energia nuclear, dificultando sanções e restrições impostas por Washington.

Desafios técnicos e ambientais

Apesar das vantagens estratégicas, a exploração do tório ainda enfrenta desafios técnicos. O metal está frequentemente associado a minérios de terras raras, um grupo de 17 elementos essenciais para a fabricação de eletrônicos e baterias. A separação do tório desses minérios exige grandes quantidades de ácido e energia, o que pode tornar o processo ambientalmente custoso.

Há também preocupações sobre o possível uso militar do tório. Alguns especialistas apontam que resíduos gerados nos reatores poderiam ser enriquecidos para a fabricação de material nuclear, mas análises indicam que esses subprodutos não seriam adequados para armas.

China avança enquanto EUA impõem barreiras

O investimento chinês no tório faz parte de uma estratégia mais ampla para reduzir sua dependência de importações e ampliar seu domínio sobre tecnologias estratégicas. O país já controla cerca de 70% da produção mundial de terras raras, essenciais para a indústria de alta tecnologia, e agora pode consolidar sua liderança na nova geração da energia nuclear.

Enquanto os EUA restringem o acesso chinês a semicondutores e impõem novas tarifas, a China aposta em inovação para garantir seu protagonismo no setor energético.

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