Estudantes de universidade goiana registram ocorrência contra aluno por posts nazistas e de ódio a negros e gays

Com colaboração de Raphael Bezerra

Um grupo de estudantes universitários procurou a Polícia Civil, na última terça-feira, 25, para registrar um boletim de ocorrência contra um aluno do curso de Direito da instituição que estaria usando as redes sociais para postagens de cunho nazista, racista e homofóbico. Prints do perfil da rede X (antigo Twitter) atribuído ao graduando mostram mensagens de ódio contra negros, gays e judeus. Em uma delas, por exemplo, é possível ler “Nós, brancos, não somos e nunca seremos igual aos negros e judeus, pois são uma raça inferior”.

O Jornal Opção tentou contato com a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) sobre o caso, mas não obteve retorno. A reportagem também procurou o estudante alvo das acusações, mas, também, sem sucesso. O espaço segue aberto para manifestação.

Em algumas das publicações do perfil com nome “Deadly”, que foi deletado após a repercussão do caso entre alunos, o autor afirma odiar “pretos e pardos”, além de ofender homossexuais e outros grupos minoritários. “Mas que bosta de emprego […]. O que mais tem aqui é negro, viado e viado negro”, diz um outro post.

De acordo com os estudantes no registro policial, feito na Delegacia Estadual de Atendimento às Vítimas de Crimes Raciais e de Intolerância, a Deacri, muitos alunos se sentiram ameaçados e vivem com medo do suspeito, tendo, inclusive, faltado aulas por receio. Ele também relataram que o jovem costumava a frequentar o câmpus da universidade com uma cópia do livro ‘Mein Kampf’, de autoria de Adolf Hitler. Outro ponto citado pelo grupo é que o estudante costumava a andar pela universidade utilizando vestimentas de bandas que fazem apologia ao nazismo.

As ameaças do suspeito, de acordo com o boletim de ocorrência, não ficava apenas nas redes sociais. Colegas alegam que, em uma ocasião, ele teria dito a um colega negro que iria “mandá-los para a senzala”. Além disso, ele teria ameaçado um colega, que é de etnia parda e portador de autismo, de agressão. Os alunos dizem que comunicaram à coordenação da universidade sobre a situação.

Ao Jornal Opção, o delegado Joaquim Adorno, titular da Deacri, confirmou o registro do caso e disse que será apurado. Adorno, no entanto, destacou que a denúncia ainda está na fase preliminar de levantamento de informações, e que só após isso, será definido se haverá, ou não, instauração de inquérito.

“Mas a probabilidade de instauração de inquérito policial é muito grande. O fato vai ser investigado, mas não podemos tomar nenhuma decisão formal sem que tenhamos” evidências para evitar falsas denúncias, disse o delegado. Sempre digo que não fazemos vingança pública, fazemos o processo seguindo a lei. Checar tudo antes de formalizar o procedimento”, concluiu.

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