Cuba protesta contra envio de imigrantes para Guantánamo por Trump

Mais de 50 mil cubanos se reuniram nesta quarta (26) na cidade de Guantánamo, no sudeste do país, para denunciar o envio de imigrantes em massa para a base naval dos Estados Unidos no território cubano. A manifestação reafirmou a exigência pela devolução da área ocupada pelos EUA há mais de um século e repudiou as políticas hostis do governo de Donald Trump contra Cuba.

O protesto contou com a presença do presidente Miguel Díaz-Canel, do secretário de Organização do Comitê Central do Partido Comunista, Roberto Morales Ojeda, e do general-de-divisão Samuel Rodiles Planas, Herói da República de Cuba. 

“Mais uma vez, exigimos, de forma enérgica e justa, a devolução do território que os EUA mantêm ilegal e imoralmente em Guantánamo”, disse Diaz-Canel. “Se tivermos que lutar por mais cem anos, lutaremos”, disse ao relembrar uma declaração histórica de Fidel Castro.

No evento, as autoridades cubanas alertaram que a decisão da Casa Branca pode gerar instabilidade na região, colocando em risco a soberania e a segurança do país.

Yoel Pérez García, primeiro-secretário do Partido Comunista no Alto Oriente, enfatizou que Cuba responsabilizará os EUA por qualquer incidente que resulte da transferência forçada de migrantes para Guantánamo. “Essa arbitrária medida pode criar um cenário de risco e insegurança, atentando contra a paz no território que os norte-americanos insistem em ocupar ilegalmente”, afirmou.

“Cuba soberana responsabilizará a administração de Donald Trump por qualquer erro ou incidente que ameace a estabilidade do território”, afirmou Pérez.

Denúncia da política migratória de Trump

A medida anunciada por Washington prevê a transferência de até 30 mil migrantes para a base militar, sob a justificativa de que representam risco à segurança dos EUA. Cuba denuncia que a decisão transforma Guantánamo em um campo de exílio forçado, agravando ainda mais a ocupação militar estadunidense na ilha.

No ato, representantes da sociedade civil cubana destacaram o histórico de agressões dos EUA contra o país, incluindo atentados terroristas financiados por Washington e o endurecimento do bloqueio econômico. Miladis Llosas Preval, cuja família foi vítima de um desses ataques, questionou: “Como aqueles que nos atacam com terror ousam nos chamar de terroristas?”.

A estudante de jornalismo Ana Laura Campello Pérez, que cumpre serviço militar na Brigada de Fronteira, lembrou que os cubanos há 122 anos rejeitam a presença norte-americana em Guantánamo. “Exigimos a devolução dessa terra que nos pertence e cuja ocupação ilegal é repudiada por todas as gerações”, afirmou.

Contexto: o cerco de Trump contra Cuba

Desde sua reeleição, Donald Trump tem intensificado medidas coercitivas contra Cuba, retomando sanções da era Bush e de seu primeiro mandato. O bloqueio econômico imposto por Washington segue como um dos principais entraves para o desenvolvimento cubano, dificultando a importação de insumos médicos, a venda de produtos no mercado externo e até o acesso a oxigênio hospitalar durante a pandemia de Covid-19.

A presença militar dos EUA em Guantánamo remonta a 1903, quando a área foi cedida sob forte pressão de Washington. Desde então, o governo cubano exige a devolução do território, denunciando sua utilização como prisão militar e centro de tortura por parte dos norte-americanos.

A manifestação desta terça-feira se soma aos protestos de dezembro passado, quando mais de 700 mil cubanos marcharam em Havana e outras cidades contra a política agressiva de Trump.

Cuba reafirma luta pela soberania

O presidente Miguel Díaz-Canel declarou que a resistência cubana seguirá firme contra qualquer tentativa de violação da soberania nacional. “Se tivermos que lutar por mais cem anos, lutaremos”, afirmou, citando palavras de Fidel Castro.

A manifestação contou ainda com apresentações culturais que reafirmaram o compromisso histórico do povo cubano com a luta anti-imperialista. Entre as manifestações artísticas, versos entoados por repentistas lembraram: “Somos anti-imperialistas / desde os tempos de Martí / porque nós cubanos temos / genes de independência”.

O governo cubano seguirá denunciando as medidas de Trump em organismos internacionais e reforçando o pedido pelo fim da ocupação de Guantánamo. Para especialistas, a política da Casa Branca pode intensificar tensões na América Latina e aprofundar o isolamento dos EUA na região.

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