Agricultores denunciam religamento de turbinas em parque eólico com licença suspensa após protesto de indígenas; VÍDEO


Empresa Ventos de São Clemente pediu autorização na Justiça para religar o equipamento, alegando graves prejuízos econômicos, mas a solicitação foi negada. Turbinas eólicas que provocam distúrbios de saúde em indígenas e agricultores por causa do ruído são religadas em Pernambuco
Pouco mais de uma semana após o governo estadual suspender a licença de funcionamento do parque eólico de São Clemente, no Agreste, agricultores filmaram, na tarde desta quarta-feira (26), as turbinas dos equipamentos em funcionamento (veja vídeo acima).
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A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) se comprometeu a suspender a licença do parque eólico, após indígenas da etnia Kapinawá e agricultores ocuparem a sede da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), no bairro das Graças, na Zona Norte do Recife.
O grupo só deixou o prédio após o governo garantir também a não instalação de novos parques no território do povo Kapinawá e a reabertura do processo de construção da instrução normativa que determina a distância mínima entre as pás de ventos e as residências.
Em entrevista à TV Globo, a coordenadora de meio ambiente do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Belize Câmara, disse que a Justiça de Pernambuco negou um pedido de liminar da empresa Ventos de São Clemente para religamento das turbinas, sob a justificativa de prejuízos econômicos, sociais e ambientais e o risco de fechamento da empresa.
Ainda segundo Belize Câmara, foi instaurado um inquérito civil sobre o caso desde 2021. Há cerca de duas semanas, a segunda perícia técnica sobre o nível de ruído das turbinas eólicas foi concluída e o laudo será anexado às investigações.
“A conclusão foi que havia ruídos acima do limite numa distância de até 500 metros. Com base nessa perícia, o Ministério Público concluiu acerca da existência de danos socioambientais a essas comunidades”, comentou.
Em 2014, três parques eólicos com 107 aerogeradores foram instalados nos municípios de Caetés, Pedra, Saloá, Venturosa e Paranatama, no Agreste de Pernambuco. As turbinas funcionam 24 horas por dia, com um barulho semelhante a uma turbina de avião. Algumas delas, a menos de 200 metros das casas dos agricultores.
Embora o inquérito ainda não tenha sido concluído, uma pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco, com participação da Fundação Oswaldo Cruz, apontou que mais de 70% das pessoas que moram ao lado dos aerogeradores têm problemas como perdas de audição, zumbido, insônia e depressão.
“A gente vem encontrando diversos problemas, principalmente relacionados à saúde mental. Um dos grandes relatos que as pessoas se queixam muito é de não conseguir dormir devido ao ruído dessas torres […] As torres emitem tanto ruído audível, como frações que não são audíveis, mas que provocam problemas na saúde dessas pessoas”, contou a pesquisadora Wanessa Gomes.
A empresa Ventos de São Clemente foi procurada pela TV Globo, mas não respondeu à reportagem.
Turbinas eólicas da empresa Ventos de São Clemente funcionam em municípios do Agreste de Pernambuco
Reprodução/TV Globo
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