Tradições do Carnaval: “Os Caretas” e a encantadora festa de Triunfo

Por Letícia Lins
Do Oxe Recife

Estamos à véspera da maior festa popular do Recife (e também do Brasil, claro). Podemos dizer que o carnaval de Pernambuco é muito mais amplo, talvez o mais diversificado do país. Por esse motivo, nos próximos dias estaremos lembrando as tradições da nossa mais alegre festa, assinalando manifestações que tanto podem ter surgido na capital do frevo quanto no interior do estado. As postagens podem ser escritas por mim, por leitores, ou estudiosos do assunto. O espaço está aberto.

E a primeira da série é escrita pela amiga Wanessa Campos. Na semana passada, assinalei aqui que era difícil um turista do Sul optar por passar o carnaval em uma cidade tão distante quanto Triunfo se tem opções de carnaval gigantesco, como Olinda e Recife. Isso quando a Governadora Raquel Lyra tomou a Avenida Paulista (SP), para vender o carnaval de “Pernambuco, meu País”, mostrando caretas e papangus. Sertaneja da gema – é do Pajeú – a colega Wanessa envia um texto ao #OxeRecife enaltecendo o carnaval de Triunfo, e falando do folguedo Os Caretas, manifestação cultural que é tradição daquele município, localizado a 451 quilômetros do Recife e um dos mais pitorescos e bonitos do Sertão de Pernambuco.

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Até o carnaval, vamos falando sobre algumas manifestações daquela que é a festa mais popular do Brasil. No caso de Wanessa, ela fala com conhecimento de causa. Nasceu em Triunfo. Todos os livros que publicou até o momento, são sobre a cultura sertaneja, versando sobre temas como o cangaço, a figura de Maria Bonita e até o Theatro Cinema Guarany, que fica naquela cidade que o cangaceiro Lampião tanto frequentou sem jamais ali ter feito um ataque, porque a Padroeira de Triunfo, Nossa Senhora das Dores, era sua madrinha. No momento, a jornalista e escritora dedica-se à elaboração de mais um livro, porém ainda em fase de pesquisa.

Diz Wanessa sobre Triunfo, seu carnaval e os Caretas:

“A cidade tem um dos melhores carnavais do Estado. Triunfo fica no Sertão Pajeú, e neste período de folia, oferece uma das mais belas tradições que acontece há mais de cem anos. Tudo começou com uma “ carraspana” de um dos integrantes do Reisado no período natalino. Mateus, era seu nome e não pode participar do evento devido ao seu estado de embriaguez. Era 1917.
Revoltado, ele se vestiu de modo exagerado, com uma máscara, chapéu e um chicote e saiu pelas ruas e ladeiras de Triunfo chamando atenção. O fato agradou. Ele repetiu a performance no Carnaval. Desta vez, adotando novos apetrechos, como pequenas tábuas com chocalhos nas costas trazendo frases engraçadas e máscara colorida. Pronto. Nasceu a careta que hoje é a grande atração carnavalesca, com inúmeros adeptos desfilado na segunda-feira do Carnaval. O chicote chamado de relho é quem dá o tom”, relata. E complementa:

“Quanto maior o estalo, melhor a careta. São vários grupos que “competem” em harmonia levando alegria e tradição. São chamados também de trecas. Recentemente, o assunto foi matéria de televisão. Além de Caretas, Triunfo tem ainda programação diversificada com vários blocos de rua a exemplo do Bloco Zé Pereira e Vitalina, o Cariri e o já famoso Bacalhau na Vara. Orquestras de Frevo, além do Língua Ferina, Telecoteco na Folia e outros contagiantes não deixam ninguém indiferentes”, conclui.

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